Quase 15% dos trabalhadores por conta própria estavam em dependência económica em 2022

No último ano, 75% ou mais dos rendimentos de mais de 105 mil trabalhadores por conta própria estavam dependentes de um único cliente, revela estatística do INE esta quarta-feira.
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Ao longo do ano de 2022, 14,8% dos 711,4 mil trabalhadores por conta própria viram 75% ou mais dos seus rendimentos dependerem de um único cliente, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira. Quer isto dizer que mais de 105 mil trabalhadores por conta própria estavam em dependência económica de uma única entidade, após a dedução de impostos.

A percentagem de trabalhadores por conta própria em dependência económica, no entanto, recuou 0,4 pontos percentuais face ao ano de 2021.

"Quando um trabalhador por conta própria tem um só cliente ou, tendo dois ou mais clientes, um é dominante, considera-se que há dependência económica", explica o INE.

Neste universo, a dependência económica "é mais frequente entre os homens (15,6%) do que entre as mulheres (13,5%)", mas também "entre os jovens dos 16 aos 34 anos (15,5%), os indivíduos que completaram o ensino superior (16,5%), os que trabalham no setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca (46,9%) e na Região Autónoma dos Açores (24,5%)".

De acordo com o boletim estatístico do INE sobre o emprego, dentro deste universo, "12% (85,4 mil, mais 0,6 pontos percentuais) indicaram que são os clientes quem estabelece o seu horário de trabalho, um indicador de dependência organizacional".

"Conjugando os dois tipos de dependência, identificaram-se 2,5% (17,7 mil; em relação a 2021, este indicador manteve-se praticamente inalterado) de trabalhadores por conta própria simultaneamente em dependência económica e organizacional", adianta o gabinete estatístico.

O INE revela também que 68% dos 711,4 mil trabalhadores por conta própria tinham dez ou mais clientes, sendo que nenhum deles foi considerado dominante na geração de rendimentos do trabalhador.

"Ou seja, nenhum representou, individualmente, 75% ou mais do rendimento da atividade (após dedução dos impostos) do trabalhador. Aquela proporção é superior em 2,6 pontos percentuais à observada em 2021 (65,4%)", lê-se.

Não obstante, 8,3% dos trabalhadores por conta própria indicaram ter tido, no último ano, apenas um cliente, 4,7% tiveram entre dois a nove clientes, um dos quais dominante, e 1,7% tiveram dez ou mais clientes, também um dos quais dominante".

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