Nas prateleiras dos supermercados a escolha nem sempre é fácil, as cores e os cheiros das frutas são apelativos e raramente conhecemos o circuito da fruta que compramos, mesmo a nacional.
Quisemos conhecer o processo, até para saber o que escolher, e nada melhor que uma cooperativa de fruticultores e Organização de Produtores, constituída por 24 produtores associados e mais cerca de 10 produtores das Caldas da Rainha, reconhecida região frutícola, com tradições na produção de Pêra Rocha e Maçã.
É a Frutalvor, que como referiu Carla Simões, responsável pela cooperativa, "é uma extensão dos agricultores", e que facilita todo o circuito da fruta melhorando a sua gestão. "O produtor é o dono da fruta que produz nos seus pomares e após a apanha entregam na cooperativa".
Nesse espaço comum, "a fruta, Pêra Rocha e Maçã, é certificada com garantia de qualidade e depois armazenada em frio". Atualmente a Frutalvor dispõe de 19 câmaras frigoríficas, das quais 13 são de atmosfera controlada.
Com o aumento da produção a Frutalvor aumentou as instalações, e equipou-as com a última tecnologia de frio, "câmaras que reduzem os gases, e dessa forma a conservação da fruta é ainda mais natural", referiu Carla Simões, revelando que se tratou de um investimento na ordem dos 2,5 milhões de euros, com uma amortização prevista para oito a dez anos.
Depois da armazenagem em frio, e de acordo com as encomendas, a "fruta é normalizada, ou seja escolhida pelo tamanho e qualidade, embalada e transportada para a central de compras dos supermercados. "No dia seguinte o consumidor já pode comprar essas frutas. É um circuito muito simples".
A cooperativa nasceu em 1997, "na altura já clientes do clube de produtores do Continente, mas com uma produção de duas mil toneladas. Crescemos, e este ano devemos atingir as 10 mil toneladas". Com uma área total de produção de 500 hectares, a responsável adianta que "já há pomares prontos para conseguir atingir a 13 mil toneladas por ano.
Parte da produção já está vendida pelos produtores às grandes superfícies, e tal como noutros setores, também neste "os preços não são os melhores para os produtores", diz Carla Simões, no entanto, "está garantido o escoamento do produto, o seu pagamento, e como temos contratos-programa conseguimos assegurar uma cadência de vendas".
O mercado nacional é importante, mas 60% da faturação já é da exportação, para mercados como o Brasil, Inglaterra, Rússia, Polónia. No ano passado a exportação representou cerca de 3 milhões de euros. "Este ano não é possível fazer previsões, porque é uma área que depende muito do S. Pedro, um interveniente de peso".
S. Pedro
Na agricultura as condições climatéricas têm muita influência na campanha de cada ano. Nesse sentido, muitos produtores nacionais contam com o apoio técnico do Clube de Produtores Continente.
"Trata-se de um clube que já conta com 234 produtores, que recebem apoio técnico diversificado, até mesmo para minorar os efeitos climatéricos, mas não é um negócio, nem interfere com o que os produtores vendem e a quem, é uma entidade que aposta a montante do negócio", afirmou Ondina Afonso, presidente da Clube de Produtores Continente.
Como forma de minimizar as questões climatéricas, Ondina Afonso recorda que "o clube promoveu junto dos produtores a produção de batata nacional, como colheita complementar. Por exemplo, a sul a batata está pronta para ser vendida no início da primavera, enquanto que em Trás-os-Montes é só no verão. Assim diversificamos e diminuímos os riscos".
O mesmo fizeram com a laranja, escolhendo "espécies mais tardias, e até recuperamos uma variedade que estava perdida, a laranja D. João, que está a ter muito sucesso".
A nova aposta do clube de produtores é "criar um conjunto alargado de investigação na área das frutas, no sentido de avaliar tendências, novidades de investigação e inovação", disse Ondina Afonso.