Que fazer quando o herdeiro não serve como administrador?

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O gene do empreendedorismo não se transmite e o cargo de presidente de uma companhia familiar deve ser conquistado, assim como o apoio de todo o clã. Se o sucessor apontado não demonstra valia suficiente e não cumpre com as suas funções, deve tomar-se uma decisão. O importante é salvar o negócio.

Foi convocado o conselho de administração e, num dos pontos da agenda, foi feita uma apreciação negativa do trabalho realizado pelo designado sucessor na empresa, filho mais velho do fundador. O pai tomou a palavra e comunicou-lhe que como presidente do conselho e acionista maioritário decidira que estava destituído do cargo. "Como pai, contas comigo para tudo", concluiu.

José Manuel Zugaza, director da Unilco, consultora especializada em empresas familiares, conta este exemplo para mostrar como devem ocorrer as sucessões. O fundador de uma empresa sabe que a eleição do seu herdeiro é um momento chave, que terá reflexos na forma como decorre o negócio.Josep Tàpies refere no seu livro "Família Empresária", que nada garante que o filho de um grande violinista venha também a ser um virtuoso no instrumento.

Mas, regra geral, dá-se por adquirido que os descendentes de um empresário vão herdar o seu génio empreendedor. "Há que saber liderar a empresa e a família. É possível que a realidade imponha que o herdeiro natural seja substituído por outro que ninguém pensou que pudesse ser tão bom administrador como o primogénito", diz Tàpies. O grupo Meliá Hotels Internacional é um exemplo destas mudanças na sucessão. Em março, Sebastián Escarrer, filho mais velho do fundador, abandonava a vice-presidência da empresa hoteleira. O pai teve que nomear como sucessor outro dos filhos, Gabriel, também vice-presidente do grupo.

José Tellez, associado da Ernst & Young Advogados, considera que em qualquer planificação de um processo de sucessão devem ser estabelecidos critérios de perfil rigorosos, em funação das necessidades do negócio. A etapa seguinte é preparar a passagem de testemunho de acordo com uma série de premissas: o sucessor designado deve ter vontade em assumir o cargo (muitos são obrigados), formação fora da empresa familiar e um plano de carreira. Sem estes mínimos, o sucesso poder estar condicionado, ainda mais quando alguns executivos acreditam que o ADN do apelido os habilita automaticamente para o cargo.

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