Queda no desemprego é a maior de que há registo

Subida do emprego é a segunda mais alta das séries do INE, que remontam a 1999. Número de desempregados jovens desce mais devagar.
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A economia portuguesa tinha, em novembro, cerca de 424 mil pessoas sem trabalho, o que se traduz numa quebra de 21,2% face a igual mês de 2016, revelaram ontem as estimativas provisórias do Instituto Nacional de Estatística (INE). Esta descida é a maior de que há registo nas séries oficiais, que remontam a 1999.

Quer isto dizer que o contingente de desempregados reduziu-se em 114 mil casos em termos homólogos. A restauração, que paga salários na casa dos 600 euros brutos, é dos sectores que mais estará a dinamizar a recuperação do mercado de trabalho.

No grupo dos jovens (pessoas entre os 15 a 24 anos), também se nota uma tendência de descida, mas mais suave. Havia 89,7 mil jovens sem trabalho em novembro, menos 9% em termos homólogos. São menos nove mil casos.

A taxa de desemprego nacional correspondente àqueles 424 mil casos caiu assim para 8,2% da população ativa, isto é, a taxa mais baixa desde finais de 2004 (mais de 13 anos). A taxa de outubro baixou para 8,4% e já é definitiva, sendo também a mais reduzida desde o início de 2005.

Emprego também sobe

Ao mesmo tempo, a criação de emprego na economia também confirma a ideia de que o mercado de trabalho está a ficar mais robusto. A subida no emprego também é das mais fortes de que há registo. Em novembro, o emprego terá avançado 3,5% em termos homólogos, para um total de 4,745 milhões de postos de trabalho. Esta subida é a segunda maior de que há registo nas séries do INE, que recuam até 1999.

Em termos absolutos, a economia terá criado 159 mil empregos no ano que acaba em novembro. Fazendo o balanço da legislatura, significa que Portugal tem agora mais 242 mil empregos face a novembro de 2015, quando o governo PS assumiu o poder.

Desemprego jovem resiste

Embora o desemprego dos jovens esteja a cai face aos níveis de 2016, o fenómeno piorou ao longo do ano passado. Depois de ter atingido um mínimo de 83,2 mil casos, o fenómeno piorou até um pico intranual de 92,9 mil jovens desempregados em outubro último. Em novembro, a estimativa provisória indica que voltou a baixar, para 89,7 mil casos.

O primeiro-ministro não demorou a reagir ao INE. Num almoço da Fundação AEP, no Porto, António Costa reparou que em 2017 “foi o ano de maior crescimento económico desde o início do século, de forte redução do desemprego, como hoje o INE confirmou com a previsão da taxa de desemprego em outubro de 8,4% e a previsão de podermos chegar a dezembro com 8,2%”.

Restauração ajuda muito

O último inquérito ao emprego relativo ao terceiro trimestre mostrou, divulgado em novembro, já mostrava que quase 40% do emprego criado num ano vinha das atividades “alojamento, restauração e similares”; estas criaram 53 mil novos postos de trabalho.

Ontem, um estudo do governo veio reforçar a ideia de que esses ramos, ligados ao turismo, estão a contribuir para a retoma, embora os salários continuem a ser baixos face à realidade nacional.

O estudo que acompanha o impacto da descida do IVA na restauração (em julho de 2016) indica que o emprego aumentou mais de 9% em termos homólogos, no primeiro semestre de 2017. A remuneração média nos restaurantes e cafés subiu 3,6%, para 621 euros, muito influenciada pela atualização do salário mínimo do ano passado (de 530 para 557 euros).

O estudo indica que o salário médio praticado na restauração e similares, embora maior, equivale a menos de 70% do salário médio bruto nacional (todas as atividades analisadas).

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