Quintas de Melgaço: Uma empresa com muitos donos

Centenas de produtores de uva da Região Demarcada dos Vinhos Verdes juntaram-se na Quintas de Melgaço para dar nova vida à casta Alvarinho.
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A Quintas de Melgaço foi constituída há duas décadas quando Amadeu Abílio Lopes, um filho da terra emigrado no Brasil, teve a ideia e a capacidade de agregar centenas de produtores do concelho de Melgaço, que se tornariam acionistas de uma sociedade anónima. Pedro Soares, administrador delegado da Quintas de Melgaço, explica que então "não havia nenhuma empresa" do género na região e a criação da sociedade "permitiu o escoamento de um produto que hoje em dia é extremamente valorizado": a casta Alvarinho. Problemas de saúde levariam Amadeu Abílio Lopes a doar grande parte do seu capital social à Câmara Municipal de Melgaço, que é atualmente o acionista maioritário, com 66,2%. Hoje, a empresa contabiliza 530 acionistas, sendo a maioria pequenos produtores.

O maior trunfo da Quintas de Melgaço é a casta Alvarinho, "o grande sector e fonte de riqueza do concelho, que permite a sustentabilidade de muitas famílias", diz Pedro Soares. Esta casta, considerada a mais nobre das castas de uva da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, é branca, de cacho pequeno e bago miúdo. Apenas é produzida na sub-região de Monção, concelhos de Monção e Melgaço, onde existem as condições ideais de microclima e solo para o cultivo e maturação da uva Alvarinho.

O papel da Quintas de Melgaço é permitir aos pequenos produtores ganharem escala de mercado. A empresa, explica Pedro Soares, "dedica-se a absorver a uva proveniente dos acionistas, vinifica e trata da sua comercialização".

Atualmente, a exportação é feita para muitos países, incluindo Inglaterra, Alemanha, França, Suíça, Luxemburgo, Finlândia e Japão, mas o principal mercado são os Estados Unidos, onde a empresa "tem aumentado a presença ano após ano". No entanto, a procura de mercados externos dá ainda os primeiros passos e representa, nesta altura, cerca de 15% das receitas. O objetivo para 2015 é atingir os 25% de quota de mercado.

Num passado recente, em 2002, o cenário não era positivo para a sociedade da Quintas de Melgaço. "Estava num processo de falência, tinha capitais próprios negativos, com dívidas que ascendiam a mais de 4 milhões de euros, estava em risco de fechar", conta Pedro Soares. Foi nesse momento complicado que surgiu "o contributo e a parceria da Caixa Geral de Depósitos, que contribuiu para evitar a falência e permitiu revitalizar a empresa, que hoje em dia é saudável".

A Caixa Geral de Depósitos tornou-se "um parceiro muito importante, que permitiu uma reformulação dos débitos dos empréstimos existentes, consolidou e emprestou um montante superior aos débitos que existiam para conseguirmos alguma regularização junto dos fornecedores de uva. Daí, revelou-se um parceiro estratégico e extremamente importante, ao qual estamos muito gratos".

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