Rdio. O streaming de música que quer vencer o Spotify em Portugal

No rescaldo da rebelião de Taylor Swift, a cantora norte-americana que retirou os seus álbuns do Spotify, o serviço norte-americano Rdio está a fazer um grande investimento na expansão internacional. O seu principal trunfo é o conceito híbrido: tem estações de rádio, como a Pandora, e música on demand sem anúncios, como o Spotify. Em Portugal, a Rdio também modificou a oferta exclusivamente paga que tinha no mercado desde 2012.
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"Não há serviços como a Pandora fora dos EUA", afirma Anthony Bay, CEO da Rdio, em entrevista ao Dinheiro Vivo. "Há o serviço gratuito do Spotify, mas não há nenhum bom serviço de rádio", continua. "Acreditamos que essa é a razão pela qual não muita gente irá pagar: temos de ser gratuitos. Por isso, lançámos o nosso serviço gratuito em Portugal há três meses."

A Rdio, que tem 30 milhões de músicas, é uma mistura de Pandora e Spotify. No final de 2014, passou a oferecer acesso gratuito às estações de rádio personalizadas. "Pensámos muito nisso e concluímos que o modelo da Pandora é o certo. A versão simples é: o utilizador não escolhe aquilo que ouve." Porquê? Porque ninguém irá pagar por um serviço de música se a versão gratuita lhe der tudo o que quer. "Penso que o on demand gratuito não é bom", assinala. Taylor Swift, que expressou fortes opiniões contra o modelo do Spotify, mantém o seu catálogo disponível no Rdio. "O modelo da rádio na internet é um grande benefício para os consumidores fora dos EUA, e nós podemos oferecê-lo", frisa. "Ao oferecer também uma assinatura na mesma aplicação, é fácil fazer o upgrade para quem quer fazer as suas playlists, ouvir álbuns ou canções, fazer downloads e ouvir sem anúncios." É assim que a marca quer conquistar quota no mercado dominado pelo Spotify.

O preço da assinatura no Rdio é de 9,99 euros por mês, para ouvir on demand e descarregar, mais 4,99 euros por pessoa adicional, no plano familiar. "Não há limite no número de listas de reprodução, estações de rádio, tamanho da biblioteca, nem de quantidade de downloads."

Anthony Bay promete mais parcerias e avança que o serviço vai expandir-se. "Estamos em 60 países e vamos chegar aos cem no final do ano." Esta semana, a Rdio entrou na Índia. "Estamos muito contentes com o sucesso da versão de rádio via internet que lançámos", diz o CEO, sublinhando que os números "continuam a crescer". Bay admite que o Spotify é "muito forte na Europa", mas ressalva que a empresa começa a "ver muito crescimento" e tem espaço para desafiar a marca sueca. Curiosamente, o criador do Rdio também é escandinavo: Janus Friis, cofundador do Skype.

A Rdio não revela quantos utilizadores tem, nem quantos pagam. Continua a perder dinheiro, algo que já previa, mas o Spotify e a Pandora também estão no vermelho. Na verdade, não há um único serviço de streaming de música a dar lucros. O que todos esperam é que, à medida que têm mais utilizadores, haja mais publicidade e assinantes para rentabilizar o negócio. Até porque, afirma, "a música é universal. Faz parte da vida de toda a gente neste planeta".

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