Receitas da Vodafone Portugal crescem 6,5% para 1235 milhões no ano fiscal 2022-2023

Subsidiária lusa do grupo britãnico de telecomunicações fechou exercício com números positivos. Vodafone não revela se cortes de postos de trabalho visam portugal.
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As receitas totais da Vodafone Portugal ascenderam a 1235 milhões de euros no ano fiscal 2022-2023, mais 6,5% face ao ano fiscal anterior. Há um ano, a subsidiário portuguesa tinha registado receitas de 1160 milhões de euros.

O valor consta nas contas do grupo de origem britânica, divulgadas na terça-feira. Ao contrário do que ocorria até aqui, a subsidiária portuguesa não fez qualquer comunicação oficial sobre as contas da Vodafone Portugal. Ao que o Dinheiro Vivo apurou junto de fonte oficial, desta vez, as orientações do grupo são de "centralizar" as contas num único documento. No entanto, os dados desagregados continuam disponíveis no relatório de contas.

No ano fiscal que terminou a 31 de março, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) ajustado subiu 11,3%, para 444 milhões de euros, em termos homólogos.

O grupo detalha que as receitas foram alavancadas pelos serviços prestados, que "cresceram devido à forte dinâmica comercial". Em Portugal, a Vodafone contabilizava no final de março 183 mil novos clientes móveis e 48 mil novos clientes no negócio fixo.

Os dados disponibilizados por mercado também permitem apurar que a receita média por cliente (ARPU) ascendia a 13 euros, no final de março. O valor é superior ao registado, por exemplo, em Espanha (12,4 euros) ou na Alemanha (12,2 euros).

As contas da Vodafone Portugal são conhecidas pouco mais de um mês depois de Luís Lopes assumir o cargo de CEO da holding.

Em termos globais, o grupo Vodafone fechou o ano fiscal 2022-2023 com lucros acima dos 12,3 mil milhões de euros. O valor compara com um lucro operacional de 2,8 mil milhões de euros, no ano fiscal 2021-2022. As receitas cresceram 0,3%, para 45,7 mil milhões de euros.

Apesar destes números, o grupo britânico de telecomunicações classifica o desempenho de "insuficiente". Por isso, anunciou que vai despedir 11 mil pessoas até 2026, como parte de um plano de reestruturação. Em novembro, o grupo já falava na eliminação de empregos nos próximos três anos, estimando cortar mil milhões de euros em custos.

Agora, o grupo liderado por Margherita Della Vale é mais concreto. A CEO fala na necessidade de "simplificar a organização para recuperar a competitividade", segundo o comunicado. "Para apresentarmos resultados de forma consistente, a Vodafone precisa de mudar", defende.

Questionada se a reestruturação afetará a operação portuguesa, fonte oficial da Vodafone Portugal disse: "Não temos comentários adicionais à informação divulgada pelo grupo Vodafone".

O grupo Vodafone tem comunicado, nos últimos anos, a necessidade de reestruturar a operação. Nesse sentido, o grupo vai passar a avaliar o desempenho da Vodafone Espanha no ãmbito do "Europe Cluster". Ou seja, o desempenho do mercado espanhol no grupo será agregado também aos dados dos mercados português, grego, irlandês, romeno, checo, albano e turco. O "Europe Cluster" é liderado pela gestora Serpil Timuray. Há muitos anos que circulam rumores no setor de a Vodafone querer alienar a operação espanhola - desde 1 de abril liderada pelo português Mário Vaz.

No mesmo relatório de contas, o grupo Vodafone atualiza a previsão para a conclusão do processo de aquisição da Nowo. Quando o negócio foi anunciado, em setembro de 2022, a Vodafone previa ter o processo concluído até ao final de junho deste ano. Agora, espera ter a compra concluída no "segundo semestre do ano civil de 2023".

A Vodafone tem defendido que o negócio não levanta problemas concorrenciais em Portugal. Na 32.ª edição do congresso da APDC, a 10 de maio, o CEO da Vodafone Portugal argumentou que o negócio tem um "racional estratégico" e que é "uma oportunidade para acelerar investimentos". Já em outubro de 2022, Mário Vaz, antecessor de Luís Lopes, tinha defendido que a Vodafone avançou para a Nowo porque o operador móvel virtual "tem valor económico", rejeitando interesses nas licenças 5G adquiridas por aquele operador.

Facto é que o negócio tem de passar pelo crivo da Autoridade da Concorrência (AdC). A 5 de abril, a AdC anunciou que tinha iniciado uma "investigação aprofundada", por recear que o negócio tenha efeitos anticoncorrenciais.

A investigação da AdC foi anunciada cerca de cinco meses depois de a Autoridade Nacional de Comunicações ter proposto à AdC, entre outras condições, a retirada das licenças 5G da Nowo - adquiridas numa fase do leilão do 5G a que a Vodafone não tinha acesso - para que o negócio possa ter luz verde.

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