O Portal da Queixa recebeu, desde o início do ano, mais de cinco mil reclamações dirigidas aos serviços públicos, um aumento de quase 40% face ao período homólogo. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes arrecadou o maior número de queixas, seguido do Serviço Nacional de Saúde e da Segurança Social.
Os dados são do Portal da Queixa, plataforma global de comunicação entre consumidores e marcas, fundada em junho de 2009 e que é visitada por mais de três milhões de consumidores por mês, e referem-se ao período entre 1 de janeiro e 28 abril, altura em que foram recebidas 5.030 reclamações no portal dirigidas a serviços públicos. Mais 37% do que em igual período de 2020, quando foram registadas 3.686 queixas.
Só o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) registou 1.211 reclamações, praticamente o triplo do período homólogo. Segue-se o Serviço Nacional de Saúde, com um agravamento de 37% nas queixas, num total de 749 processos e a Segurança Social com 718 queixas, mais 24% do que no primeiro quadrimestre de 2020.
As dificuldades na atribuição de carta de condução (tanto para recém-encartados como para a troca de título de condução estrangeira) geraram 74% das reclamações relativas aos serviços do IMT. As falhas nos agendamentos geraram 7% das queixas apresentadas contra este organismo.
A dificuldade em ser visto por um médico e a falta de atendimento telefónicos foram as principais causas dos protestos relativos ao Serviço Nacional de Saúde, com 60% e 36% das reclamações apresentadas.
Quanto à Segurança Social, a falta de atendimento (22%) e as queixas relacionadas com os apoios financeiros no âmbito da covid (13%) foram os principais problemas reportados.
Destaque, ainda, para as 284 reclamações do Centro Nacional de Pensões (mais 37% do que o ano passado) - maioritariamente relativas a reformas (35%), falta de atendimento ou resposta (21%) e queixas relacionadas com as pensões de sobrevivência ou viuvez (14%) - e para as 249 do Instituto dos Registos e Notariado (mais do triplo do que em 2020), relativas à dificuldade na renovação do Cartão do Cidadão (64%) ou à falta de apoio ou acompanhamento (23%).
Também o IEFP esteve na mira das reclamações dos consumidores. A ausência de resposta/apoio gerou 36% das reclamações e os atrasos nos pagamentos dos subsídios geraram 33% das queixas.