A Altice acusa a Anacom de usar critérios na contabilização das reclamações no sector das comunicações que "insistem em denegrir o setor e revelam falta de transparência", reagiu a dona da Meo que, em outubro, segundo os dados do regulador foi o operador mais objeto de reclamações dos consumidores, 2 mil queixas, tendo registado um aumento de 43% face ao ano passado.
Em outubro, a Anacom registou cerca de 11,7 mil reclamações sobre serviços de comunicações (+22%), destas 5,3 mil reclamações são sobre serviços de comunicações eletrónicas, uma subida de 65% face ao ano passado. A Meo foi o prestador mais reclamado (2 mil reclamações, +43%) e a NOS aquele que registou o maior aumento das reclamações (+78%).
"Os mais recentes dados divulgados pela Anacom sobre reclamações no setor das comunicações são apenas mais uma clara tentativa do Regulador em denegrir o setor", atira a Altice. A dona do Meo fala em "inconsistência e falta de transparência dos números divulgados, já que a Anacom apresenta os valores absolutos, não tendo em conta o volume de clientes por operador".
"A única forma intelectualmente honesta de apresentar as reclamações do setor, e que a Anacom já chegou a fazer no passado recente, é reportar as reclamações por 1.000 clientes. Ora, o setor das telecomunicações tem um valor de ~0,37 reclamações por 1.000 Clientes, o que demonstra a qualidade do serviço prestado em Portugal, ao invés da mensagem que o Regulador passa. Esta média compara muito positivamente com outros setores que apenas prestam um tipo de serviço", destaca a operadora.
"Já ninguém tem dúvidas quanto ao motivo que leva o regulador a utilizar diferentes critérios em documentos de grande importância para o mercado e para o setor: enviesar completamente a leitura dos portugueses sobre o estado das telecomunicações em Portugal", acusam.
"A Altice Portugal faz, por isso, a análise por cada mil clientes, já que considera que esta é a única forma de garantir que a informação é transparente e útil, considerando a dimensão de cada um dos operadores. Assim, em outubro, o MEO continua a ser o Operador com menor índice de reclamações por 1.000 Clientes: 0,35", considera.
Os números do regulador
Depois de em setembro, a Anacom ter registado cerca de 12,4 mil reclamações sobre serviços de comunicações, um disparo de 30%, em outubro regista uma subida de mais de 22%, para cerca de 11,7 mil reclamações. Ainda assim valores mais baixos do que no pico, em julho, em que chegaram 13,4 mil reclamações sobre serviços de comunicações, mais 36% do que há um ano.
"O livro de reclamações eletrónico registou 5,3 mil reclamações sobre serviços de comunicações eletrónicas, mais 65% face a igual período do ano passado", diz a Anacom.
"Todos os principais operadores de serviços viram aumentar muito significativamente as suas reclamações face a igual período do ano anterior. A Meo foi o prestador mais reclamado (2 mil reclamações, +43%) e a NOS aquele que registou o maior aumento das reclamações (+78%)", diz ainda.
A gestão dos contratos (23%), o cancelamento de serviços (19%) e as avarias (15%) foram os assuntos mais reclamados neste sector, em outubro de 2020. Mas, os problemas com a ligação inicial ou instalação (+89%) o cancelamento de serviços (+79%) e o atendimento (+62%) foram os que mais aumentaram face a outubro de 2019, descreve o regulador.
Postal: reclamações sobem 28%
Os serviços postais registaram 1,8 mil reclamações no livro de reclamações eletrónico em outubro, uma subida de 28%. Os CTT foram o operador mais reclamado (1,5 mil reclamações), mais 41% do que em outubro de 2019.
O atraso na entrega continuou a ser o assunto mais reclamado (20%), a falta de tentativa de entrega foi o assunto que mais aumentou face a igual período do ano passado (+85%).