Não é novidade que, entre as maiores críticas relativamente ao uso de sistemas de reconhecimento facial, esteja a falta de fiabilidade e confiança. Além das questões ligadas à privacidade, existe também uma preocupação com os falsos positivos dados pelo sistema.
A dar alguma legitimidade aos críticos estão os resultados divulgados pela Polícia de Gales, relativamente à utilização do sistema de reconhecimento facial Identify, na final da Champions League, em Cardiff, no ano passado. Entre 2470 correspondências, 2297 acabaram por ser identificadas como falsos positivos - ou seja, 92% dos dados totais. Ainda assim, a polícia destaca que nenhum dos falsos positivos resultou em prisão para os identificados.
Este sistema utiliza imagens em tempo real dos sistemas de CCTV, por exemplo, fazendo depois a correspondência com mais de 500 mil imagens disponíveis no sistema da polícia. A unidade responsável pela utilização do Identify apontou ainda como principais falhas deste sistema a "falta de qualidade das imagens da Interpol e da UEFA", além da novidade do uso da tecnologia.
Além dos dados do uso deste sistema, a Polícia de Gales indicou ainda que este sistema já resultou em 450 detenções nos últimos nove meses de utilização. Embora a polícia refira que já estão a ser feitas melhorias ao sistema, destaca ainda que "nenhum sistema de reconhecimento facil é totalmente eficaz".