Praticamente metade dos jovens inquiridos num estudo sobre segurança na internet já foi vítima de alguma forma de cyberbullying. Dois terços admitiram que não iriam contar aos pais caso vivessem uma situação menos agradável na internet e 83% quer que as redes sociais se responsabilizem mais.
As redes sociais como o Facebook, Snapchat, Youtube, Instagram, Tumblr e o Twitter têm falhado na proteção dos jovens expostos a cyberbullying. A conclusão é do estudo "O impacto do cyberbullying nas redes sociais na saúde mental de crianças e jovens", liderado pelo deputado britânico Alex Chalk em parceria com a associação britânica The Children's Society e com a Young Minds.
"O cyberbullying pode devastar as vidas dos jovens e, até agora, a resposta das empresas de redes sociais tem sido inadequada. Têm falhado em perceber qual a verdadeira escala do problema. É altura de se tornarem mais transparentes e responsáveis", acusa o deputado que liderou o estudo, Alex Chalk.
Quase metade das crianças e jovens inquiridos neste estudo esteve sujeito a mensagens intimidatórias, ameaçadoras ou abusivas nas redes sociais ou viu partilhado conteúdo inconveniente sobre as próprias, o que pode ter levado alguns, em casos mais extremos, a pensar em suicídio.
O inquérito foi realizado a 1089 crianças, três quartos do sexo feminino e 62% com idade inferior a 18 anos que alegaram que as redes sociais deveriam ter um papel mais ativo na hora de controlar e proibir perfis de utilizadores abusivos.
As crianças revelam neste inquérito que as redes sociais não assumem as denúncias de forma tão séria como deveriam. O facto de demorarem alguns dias a rever os conteúdos denunciados e não os retirarem de imediato é uma das queixas apresentadas.
O relatório deixa algumas sugestões às empresas responsáveis pelas redes sociais, como responder às denúncias em menos de 24 horas, dar aos jovens instruções mais claras sobre o comportamento correto online e e ter uma ação mais dura com os utilizadores que quebrarem as regras.
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"O Snapchat foi criado para uma audiência e jovens e adultos e utilizamos a melhor tecnologia disponível para evitar que alguém com menos de 13 anos crie uma conta ou use o serviço. A nossa equipa de segurança trabalha arduamente para rever os relatórios de abuso e agir sempre que há uma violação.", referiu um porta-voz do Snapchat, citado pelo The Guardian.
Outra das conclusões deste relatório é que 1 em cada 10 jovens admite navegar na internet até depois da meia-noite, todos os dias. 61% dos jovens inquiridos revela que criou a sua primeira conta nas redes sociais com 12 anos ou menos, apesar de apenas ser permitido ter um perfil nestes sites a partir dos 13 anos.
"Há 30 anos, a nossa casa era um lugar seguro mas, atualmente, não há como fugir ao bullying. Isto cria uma situação de stress e ansiedade constante", referiu um responsável pela associação anti-bullying Ditch the Label.
O relatório alerta para as consequências que o ciberbullying pode provocar na saúde mental dos jovens, uma vez que estes são um grupo de utilizadores assíduos e particularmente vulneráveis.