O Banco de Portugal (BdP) pode vir a rever a taxa de esforço das famílias, uma das suas recomendações para a concessão de crédito à habitação. Em causa está a medida que exige que a capacidade das famílias seja testada para taxas de juros "bem mais altas" do que as praticadas no momento em que é realizado o crédito. Segundo noticia o Público esta segunda-feira, o objetivo é aumentar o número de particulares que podem aceder a este tipo de financiamento
De acordo com as atuais regras, é necessário acrescentar três pontos percentuais à taxa contratada nos novos empréstimos para aferir a taxa de esforço das famílias, sendo que o stress adicional não pode exceder 50% dos rendimentos líquidos. No entanto, em declarações ao Público, José Carlos Tomás, da Eupago - instituição de pagamentos que atua como intermediária de crédito -, referiu que esta revisão não terá efeito junto das famílias com rendimentos médios que, face ao atual panorama do mercado, vão continuar a ter dificuldades em aceder a crédito, beneficiando apenas quem tem rendimentos mais elevados.
Atualmente, uma família com rendimentos mensais de dois mil euros, com uma Euribor a 4%, um spread de 1% num prazo de 37 anos, consegue, no limite, um empréstimo de 165 mil euros, com uma prestação de 811,41 euros mensais ao banco, o que equivale a uma taxa de esforço real de 35%. Se o Banco de Portugal alterar a medida, o valor poderá subir até aos 184 mil euros de empréstimo, uma prestação de 910,36 euros e uma taxa de esforço de 39%.