Talvez uma das sequelas mais cotadas de sempre, "Avatar: O Caminho da Água" estreia hoje nos cinemas de todo o mundo com um custo projetado de 350 milhões de dólares e a ambição de destronar o original como filme mais lucrativo de sempre.
A continuação da história no mundo fantástico de Pandora chega 13 anos depois de "Avatar", que na altura prometia o regresso revolucionário dos óculos 3D ao cinema e foi um marco importante em efeitos especiais.
Agora, a sequela promete fazer disparar as receitas de bilheteira da Disney, numa altura em que os consumidores estão a regressar às salas de cinema pós-pandemia mas ainda não se atingiram os níveis anteriores à covid-19.
Numa exibição antecipada do filme em Hollywood, o produtor Jon Landau - que trabalhou lado a lado com o realizador James Cameron nos dois filmes "Avatar" e "Titanic" - disse que o trabalho no segundo filme começou em 2012 e aconteceu em paralelo com os próximos.
É que haverá cinco filmes "Avatar" no total, com os próximos a serem lançados de dois em dois anos (o terceiro em 2024, o quarto em 2026 e o último em 2028).
"No nosso entender, cada filme tem de ser individual, ter uma resolução emocional própria e uma conclusão da história", afirmou Landau. "Quando olhamos para o conjunto de cinco filmes, incluindo o original, é uma saga épica maior e interligada."
Os argumentos foram escritos com base nas 1500 páginas que James Cameron escreveu em 2012 quando decidiu que queria continuar as histórias de Pandora, por uma esquipa de escritores que não sabiam em que filme estavam a trabalhar - se no Avatar 2, 3, 4 ou 5.
"Quando estávamos a fazer o primeiro filme, dissemos que se as coisas corressem bem havia outras histórias que queríamos contar", disse Landau. Aquilo que vemos em "Avatar: O Caminho da Água" é a primeira delas.
Landau explicou que o trabalho de escrita e o de arte também foi feito ao mesmo tempo, e não em sequência. "O departamento de arte influenciou o processo de escrita", referiu o produtor.
O primeiro "Avatar", que estreou em dezembro de 2009, teve um orçamento de 237 milhões de dólares e demorou quatro anos a fazer. Continua a ser o filme mais lucrativo de sempre, com um encaixe de 2,92 mil milhões de dólares até agora. Foi destronado brevemente por "Os Vingadores: Endgame" mas voltou a superar o filme da Marvel, que agora regista 2,7 mil milhões de dólares de receitas. Em terceiro lugar na lista aparece "Titanic", com 2,1 mil milhões, o outro épico de James Cameron que venceu vários Óscares em 1998.
"Avatar: O Caminho da Água" eleva bastante a fasquia de efeitos visuais e edição, o que explica o orçamento oneroso do projeto e o tempo que demorou a concluir.
"Foi provavelmente o processo mais complicado e sofisticado de edição de um filme de toda a história", declarou o editor Stephen Rivkin na mesma sessão em Hollywood.
Rivkin disse que o processo editorial "foi bastante complicado" e exigiu quatro editores principais, dois editores adicionais e um "exército de assistentes" que trabalharam na edição do filme durante cinco anos.
"O Jim [James Cameron] favorece muito o movimento da câmara para melhorar a experiência do 3D", afirmou. "Tínhamos captura debaixo de água e personagens reais integrados em cenas virtuais, que não aconteceu muito no primeiro Avatar", sublinhou. "Este filme tem um personagem, Spider, que estava em grande parte das cenas virtuais." O editor referia-se ao personagem interpretado por Jake Champion, Miles "Spider" Socorro.
Tudo o que se vê no ecrã é baseado na representação real dos atores, desde Zoe Saldaña (Neytiri) e Sam Worthington (Jake Sully) a Kate Winslet (Ronal) e Sigourney Weaver (Kiri). Weaver, agora com 73 anos, interpreta uma adolescente de 14 anos e Jon Landau revelou que não houve qualquer edição ou tentativa de rejuvenescimento da sua voz. "A Sigourney abraçou este personagem e não tivemos de adulterar a voz dela", referiu. "Foi notável ver a sua transformação em Kiri, uma interpretação extraordinária."
Jon Landau também indicou que a equipa construiu fatos CGI para que os atores pudessem usá-los e ver como o vento e a água os afetavam e encarnarem melhor os personagens, "para chegarmos ao que acreditamos ser qualidade foto-realística." Foram usadas 16 câmaras em simultâneo para fazer a captura da representação. O compositor Simon Franglen, que entrou no projeto no final de 2017, contou que a canção dolorosa cantada por Neytiri no filme foi captada durante a performance.
"O que ouvimos é a Zoe Saldaña a cantar ao vivo. Não há gravação prévia", revelou. "Às vezes esquecemo-nos do nível incrível de representação que está aqui a acontecer."
A designer de guarda-roupa Deborah Lynn Scott, que venceu o Óscar de Melhor Guarda-Roupa em 1998 por "Titanic", indicou que todas as vestes e acessórios vistos no ecrã foram realmente desenhados pela produção, como âncoras para os atores. "Foi uma jornada incrível e maravilhosa", caracterizou, referindo que o processo incluiu um extenso trabalho de pesquisa sobre povos indígenas em todo o mundo.