Rent-a-car perde um milhão de euros por quebra na procura e baixa de preços

Perda de poder de compra levou os portugueses a meter travão aos gastos nas férias. Há menos procura para alugar carros no verão e empresas já sentem impacto nas receitas.
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Há mais carros para alugar, mas menos clientes. A inflação pressionou a carteira das famílias portuguesas que, de cinto apertado, estão a cortar nos gastos com as férias. E o impacto sente-se já também nas empresas de aluguer de veículos que, depois de um ano recorde em 2022, registaram já uma ligeira quebra nas receitas nos primeiros sete meses do ano, amealhando 368 milhões de euros, menos um milhão de euros face a igual período homólogo do ano passado, apesar de terem disponível uma frota 19% superior à de 2022.

"Num ano em que o rent-a-car se encontra com uma maior oferta de viaturas disponíveis, o mundo, e especialmente a Europa, estão a viver, além da guerra, uma inflação com taxas que já não se verificavam há vários anos. Pressionados pela inflação e subida dos juros, a maioria das famílias reduziu alguns hábitos de consumo, reduções essas que incidem também no gozo de férias, levando mesmo muitos turistas a cortar nas tradicionais férias de verão", enquadra o secretário-geral da Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor (ARAC).

Joaquim Robalo de Almeida adianta que os meses de junho e julho registaram taxas de ocupação inferiores, face ao ano passado, e o arrefecimento da procura levou já as empresas a baixar preços.

No ano passado, a forte retoma do turismo aliada à falta de veículos para alugar deu ao negócio o melhor ano de sempre com receitas recorde de 958 milhões de euros. O cenário mudou este ano e a ARAC assume já que "2023 é francamente inferior em rentabilidade face a 2022". Também o período médio de aluguer de viaturas caiu de 10 dias, em julho de 2022, para oito dias, no mesmo mês deste ano.

"Depois de sucessivas melhorias nas projeções de crescimento em 2023, a atividade turística nacional arrisca (caso não exista uma clara melhoria em agosto e setembro) um movimento em sentido contrário, de revisão em baixa, tendo o segundo trimestre ficado aquém do esperado pelos empresários do setor. Também os dados do primeiro mês do terceiro trimestre registaram um arrefecimento adicional da atividade", adianta o responsável.

Olhando para o mapa nacional, Lisboa e o Algarve são as regiões que registaram as maiores quebras no aluguer de viaturas. A par do mercado nacional sente-se ainda uma quebra dos clientes alemães. Em sentido contrário, o Porto, a Madeira e os Açores têm registado melhores taxas de ocupação, destacando-se o crescimento do mercado norte-americano e britânico.

Joaquim Robalo de Almeida explica que a atividade de aluguer de veículos sem condutor está intrinsecamente ligada às movimentações do trade turístico tendo o segmento de turismo (turismo de lazer e turismo de negócios) representado, em 2022, 49,9% do total de volume de negócios da atividade de rent-a-car. As quebras na faturação são inevitáveis, com praticamente metade do negócio alocado ao turismo.

A outra fatia corresponde a empresas e particulares e, neste segmento, a operação mantém-se estável.
"No mercado nacional, que é constituído maioritariamente por empresas, não tem sido registado um decréscimo, pois tanto as pessoas coletivas de direito privado como o setor público, incluindo a administração pública e o setor empresarial do Estado, representam e continuarão a representar um mercado muito importante para as empresas de locação de veículos sem condutor, correspondendo atualmente a cerca de 40% do mercado da atividade de rent-a-car", explica o secretário-geral da ARAC.

Já no que respeita aos particulares, "o mercado de rent-a-car tem permanecido estável com as pessoas cada vez mais a optar pelo aluguer em detrimento da aquisição".

A falta de semicondutores necessários à produção de automóveis, associada à venda da frota do rent-a-car na pandemia foram os principais fatores que justificaram a pouca disponibilidade do parque automóvel das empresas de aluguer de carros ao longo de 2022.

A ARAC garante que a questão está praticamente resolvida e os números comprovam-no. Em julho havia 93 mil veículos disponíveis, que compara com os 74 mil carros operacionais em igual mês de 2022. Em agosto, o número deverá subir para os 105 mil. Nos primeiros sete meses deste ano o setor conseguiu já comprar 41 mil viaturas, ou seja, quase tantas como as adquiridas no acumulado de 2022 (45 mil viaturas).

Apesar de a atividade estar a andar a ritmo mais lento, as perspetivas da ARAC são otimistas para os próximos meses. "Tendo em atenção os elementos disponíveis, entendemos que registar-se-á uma melhoria da atividade turística a partir de agosto até outubro, o que resultará numa melhoria da atividade de rent-a- car, e uma continuação da mudança de paradigma da aquisição para o aluguer de veículos no que respeita ao mercado empresarial", refere Joaquim Robalo de Almeida.

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