A Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, destacou hoje em Braga, na quinta edição da Millennium Talks - COTEC Innovation Summit, o reforço de verbas para o "sistema científico", previsto no âmbito da reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). E que prevê o "financiamento 100 por cento, de universidades, institutos politécnicos e laboratórios, independentemente da região", onde se encontrem instalados.
"A Ciência e Ensino Superior são áreas beneficiadas no âmbito do reforço de investimentos de reprogramação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através do reforço de programas direcionados para a qualificação do nosso tecido económico e social, de modernização tecnológica e digital, da formação superior, de desenvolvimento do ecossistema de inovação e de apoio à investigação fundamental, cujo processo de consulta termina hoje", declarou a governante, adiantando que a reprogramação prevê "um reforço muito significativo de investimentos nos programas da Agendas Mobilizadoras".
"É o maior aumento que foi feito. Passamos de 930 milhões de euros para 2850 milhões de euros", sublinhou, referindo que desse montante, "38 por cento vai para o sistema científico", prevendo "financiamento a 100 por cento, independentemente da região", das instituições de ensino superior.
De acordo com Elvira Fortunato, no âmbito da reprogramação, foram ainda "colocados 213 milhões de euros" para o pilar da investigação científica. E vai ainda "ser apresentado a Bruxelas", o reforço de algumas áreas do programa "Impulso Mais Digital", também dirigido ao ensino superior. "Apostamos em duas áreas que achamos que são muito importantes em Portugal, que são as Ciências Agrárias e a Medicina", destacou, adiantando que a aposta tem em vista a modernização e incorporação de tecnologia nas Ciências Agrárias, proporcionando condições de atração "de mais jovens para estas áreas que não são tão atrativas". O reforço com "tecnologia", constitui também objetivo para a área da Medicina.
No Millennium Talks de Braga, Elvira Fortunato anunciou o investimento na criação de "um campus de ciência e tecnologia, incluindo um balcão de ciência, físico e online". "Aqui a Fundação para a Ciência e Tecnologia tem um papel muito importantes. Queremos uma Fundação muito mais próxima do investigador e que os processos de análise, sejas das bolsas de doutoramento, seja dos próprios projetos sejam feitos de uma forma muito mais rápida", declarou, afirmando que "há alunos que ganham bolsas de doutoramento e desistem porque não conseguem ficar tantos meses à espera que os seus contratos sejam realizados".
"Temos de mudar mentalidades e até mudar a Fundação para um outro espaço. O Governo deve dar o exemplo, não podemos estar a pagar rendas muito caras a instituições privadas, tendo o próprio Estado uma série de edifícios ao dispor para albergar estas instituições", indicou, confirmando que a Fundação de Ciência e Tecnologia "vai sair de uma vez por todas da D. Carlos I, exatamente para que as rendas extremamente caras que estão a ser pagas possam ser reinvestidas em Ciência".