Na véspera de apresentação de resultados de 2013 do BES, a
polémica à volta da sucessão de Ricardo Salgado na liderança do
banco volta a estar em cima da mesa. E, desta vez, quem a ressuscita
é precisamente um dos candidatos a sucessor: Ricardo Abecassis
Espírito Santo Silva, primo de Ricardo Salgado e presidente do
Espírito Santo Investment Bank Brasil. Ontem, em declarações à
Lusa, este responsável afirmou estar disponível para suceder a
Ricardo Salgado na presidência do banco caso os acionistas o apoiem
para o cargo.
"Estou sempre disponível para os desafios que se me apresentem,
se os acionistas assim o quiserem." A sucessão "é um processo
que se conversa internamente no grupo, mas não há pressão e nem
datas", sublinhou, à margem de um seminário em São Paulo, no
Brasil, onde vive.
Leia também os sete principais desafios do Grupo Espírito Santo
Os candidatos à sucessão
O nome de Ricardo Espírito Santo surgiu como opção para a
presidência do banco em novembro, após terem sido tornadas públicas
as tensões entre Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, seu primo
e presidente do BESI. Além deste e do líder do BESI Brasil, uma
hipótese mais remota para assumir a liderança recaía sobre
Bernardo Espírito Santo, diretor-geral do banco na área das
empresas.
Apesar de resolvida, a fratura entre Salgado e Ricciardi terá
reforçado o peso de Ricardo Espírito Santo, nome bem recebido pelos
membros do Conselho Superior - nomeadamente pelo atual presidente do
banco, que desde então tem vindo a liderar uma reestruturação
profunda do grupo, de forma a tornar a estrutura mais simples. Disso
são exemplo a venda das posições na Zon e na EDP e a dispersão em
bolsa de parte do capital Espírito Santo Saúde e da holding
Rioforte, operações que deverão levar a um encaixe de cerca de mil
milhões de euros este ano.
"É uma simplificação, uma maior transparência quer em
governança como em estrutura acionista", explicou também ontem
Ricardo Espírito Santo. "Estamos a fazer um exercício semelhante
ao que o Governo fez: redução de custos, "enxugamento" de
estruturas e até, de certa maneira, uma desalavancagem da nossa
estrutura acionista." E será ainda necessário novo aumento de
capital para responder às recomendações do Banco de Portugal?
Ricardo Espírito Santo garante que não. "No banco, a gente não
prevê", garantiu, reforçando que o banco "continua" a pôr
completamente de parte o recurso a dinheiro público para se
recapitalizar (leia mais ao lado).
Prejuízos de 470 milhões
O Banco Espírito Santo apresenta hoje, após o fecho da Bolsa, os
resultados anuais referentes a 2013, e, segundo a média das
previsões de quatro casas de investimento contactadas pelo
DN/Dinheiro Vivo, terá fechado o ano com prejuízos de 476 milhões,
face aos lucros de 96,1 milhões em 2012. A penalizar as contas terá
estado a queda da margem financeira (juros cobrados no crédito menos
juros pagos nos depósitos), que terá recuado 11% para 1,06 mil
milhões de euros. "As imparidades para crédito deverão ascender
a 235,7 milhões no quarto trimestre [+4,1%]", e a margem
financeira terá caído 4% devido ao recuo na operação
internacional.
PERFIL
Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva tem 55 anos, é casado e
tem duas filhas. É licenciado em Economia pela City University de
Londres. Vice-chairman executivo do BESI do Brasil e membro da
Administração do BESI, faz ainda parte do Conselho de Administração
do BES e do conselho superior do grupo Espírito Santo.
Ricardo Espírito Santo vive no Brasil, onde chegou em 1980.
Depois de passar cinco anos em Miami, Estados Unidos, regressou a
Portugal em 1995 mas ficou pouco tempo: dois anos depois, de regresso
a São Paulo, assumia a liderança do BESI Brasil, onde ainda se
mantém. Nos últimos tempos, tem passado mais tempo em Lisboa para
se entrosar nos negócios da família, sendo um dos nomes apontados
para suceder a Ricardo Salgado à frente do banco da família.
Leia também a entrevista que Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva deu ao Dinheiro Vivo sobre as oportunidades de negócio no Brasil