Ricardo Salgado. Perfil de um banqueiro do regime

Conhecido como o banqueiro do regime, Ricardo Salgado volta a estar debaixo dos holofotes mediáticos, não só por ter sido constituído arguido no âmbito da operação Monte Branco, mas também pela crise que o Grupo Espírito Santo (GES) - que liderou mais de 20 anos - está a viver.
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Aos 70 anos, Salgado deixou a liderança

do grupo e do Banco Espírito Santo (BES) que está há várias

gerações sob o comando da família que lhe deu o nome. O domingo de

13 de julho foi o último dia de Salgado à frente do BES, cuja

presidência assumiu em 1991, após a reprivatização, iniciando um

percurso que levou ao aumento da quota de mercado detida pelo banco de 8% para 20% e à

internacionalização.

Por exigência do Banco de Portugal,

Ricardo Salgado teve de abandonar mais cedo o seu mandato, que

terminava em 2015, deixando assim a meio a reestruturação do grupo

que prevê uma separação clara da área financeira da não

financeira. Antes de sair, Salgado ainda tentou deixar o banco nas

mãos do seu homem de confiança, Amílcar Morais Pires, mas não

conseguiu.

Afastado da gestão do banco, aquele

que sempre foi conhecido como o "Dono Disto Tudo" (DDT)

instalou-se, no último mês, no Hotel Palácio, no Estoril, onde tem

estado a trabalhar.

Casado e pai de três filhos, Ricardo

Espírito Santo Silva Salgado nasceu a 25 de junho de 1944. Embora

seja natural de Cascais, onde vive atualmente, passou os primeiros

anos da sua vida em Lisboa, na Lapa, onde morou.

Estudou numa escola primária pública

e, mais tarde, ingressou no Liceu Pedro Nunes. Em 1969, licenciou-se

no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da

Universidade Técnica de Lisboa e cumpriu o Serviço Militar na

Marinha de Guerra Portuguesa, no Curso de Formação de Oficiais da

Reserva Naval.

Mas Ricardo Salgado estava destinado a

ser banqueiro na instituição da familía. Três anos depois, em

1972, entrou para a equipa do Banco Espírito Santo e Comercial de

Lisboa, primeiro para assumir a direção do Gabinete de Estudos

Económicos e mais tarde a Direção de Crédito, onde permaneceu até

1975, aquando da nacionalização do banco.

Foi do outro lado do Atlântico que

começou a ser desenhada a reprivatização. O banqueiro português

lançou-se a partir do Brasil, entre 1976 e 1982, na reconstrução

do Grupo Espírito Santo, trabalho a que deu seguimento depois na

Suíça, de 1982 a 1991.

Após a reprivatização do banco em

1991, Ricardo Salgado chegava à presidência executiva do

BES. Um ano depois, foi nomeado "Economista do Ano" pela

Associação Portuguesa de Economistas e, em 2001, "Personalidade

do Ano" pela Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil.

Em 2002, foi nomeado para o Supervisory

Board da Euronext NV, em Amesterdão, e em 2006 participou na fusão

da Euronext com o New York Stock Exchange (NYSE), integrando o

conselho como membro não executivo até 2011, tendo ainda sido

administrador não executivo do Banco Bradesco (Brasil), de 2003 a

2012.

Até meados de julho, o homem forte do

BES era membro do conselho superior do Grupo Espírito Santo,

vice-Presidente do conselho de administração e presidente executivo

do Banco Espírito Santo.

Leia também a história do Banco Espírito Santo: A Casa dos Espíritos I e A Casa dos Espíritos II

Cargos que acumulou com a presidência

do conselho de administração da Espírito Santo Financial Group,

Luxemburgo e a presidência do conselho de administração do Banco

Espírito Santo de Investimento. Além disso, integrou o conselho de

administração da Banque Privée Espírito Santo Lausanne e o

conselho de administração de Banque Espírito Santo et de la

Vénétie-Paris.

Ao longo da sua vida, Ricardo Salgado

foi várias vezes distinguido. Em 1994, foi condecorado "Chevalier

de L"Orde du Mérite National de France" e em 1998 recebeu

o "Grau de Grande Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul",

pelo Presidente da República Federativa do Brasil.

Em 2005, foi condecorado "Chevalier

de la Légion D"Honneur da República Francesa" e há dois

anos, em 2012, "Commander's Cross Order of Merit da República

da Hungria".

Já no ano passado, em julho de 2013, a

Universidade Técnica de Lisboa distingui-o com o doutoramento

"honoris causa" por serviços prestados à economia,

cultura, ciência e à universidade.

Com Lusa

Diário de Notícias
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