Se a Apple pudesse imprimir notas com o símbolo da maçã ou a cara de Steve Jobs, muitos dos seus utilizadores correriam a adquiri-las. A marca, que é a mais valiosa do mundo em 2022, nunca terá a possibilidade de criar a sua própria moeda de acordo com os sistemas monetários internacionais. Mas há uma nova plataforma que pode permitir chegar o mais perto disso que é possível: a Rimark vai ser lançada na próxima semana e vai funcionar como uma espécie de mercado onde há moedas digitais com as marcas de criadores, empresas e comunidades para ganhar, comprar e vender.
"Podemos chamar-lhe criptomoedas de marca", diz ao Dinheiro Vivo Jeremy Vaughn, cofundador e CEO da startup, sediada em São Francisco. "A ideia é criar pequenos ecossistemas económicos para marcas e artistas, com a visão de que podemos ter um mercado que os abranja a todos."
A ideia é que qualquer pessoa, quer perceba alguma coisa de moedas digitais ou mal tenha ouvido falar delas, possa facilmente inscrever-se na plataforma e começar a usá-la. Porque a Rimark não pretende vender Bitcoins ou Ether, mas sim "tokens" cunhados por marcas, artistas e organizações com valores e características muito específicas.
"Há uma fatia de utilizadores que estão interessados em cripto e consumidores que já ouviram falar nisto mas não sabem o que é", refere Vaughn. Isso não vai necessariamente ser a razão pela qual vão querer registar-se na plataforma. Será por causa dos outros benefícios que vão receber. Algo do género, ganhe dinheiro por apoiar a sua marca favorita."
É precisamente disto que se trata. A plataforma arranca com parcerias com seis empresas e artistas e o rapper Masego, que esteve nomeado para os prémios Grammy 2022, será o mais visível.
Cada marca ou artista cunha a sua moeda, um "token social." No caso de Masego, a moeda chama-se "sego." O valor unitário inicial desta moeda, ou token, baseia-na na quantidade de dinheiro que é dedicado à iniciativa, sendo que cada artista faz um investimento inicial na sua própria moeda. "Quanto mais pessoas comprarem, mais o preço sobe", explica Jeremy Vaughn.
E como é que as pessoas compram "segos"? Através da moeda comum da Rimark, chamada "rik", que funciona como dinheiro para adquirir todas as outras moedas que forem sendo criadas.
A pessoa pode usar um simples cartão de crédito para adquirir os "riks" e começar a comprar e a vender na plataforma. Depois, quando quiser, pode levantar o equivalente aos "riks" que possui em dólares. Não é sequer preciso ter uma carteira digital, ao contrário do que se exige a quem pretende comprar ou vender NFT. E Vaughn confirmou que os utilizadores fora dos Estados Unidos podem registar-se e comprar e vender tokens das marcas e artistas presentes na plataforma.
Para estas marcas e artistas, cunhar as suas próprias moedas permite-lhes criar um tipo diferente e inovador de programas de fidelização e compensação pelo apoio. Por exemplo, subscrever a newsletter de uma marca pode permitir ganhar meio token a um consumidor. Comprar um bilhete para ir ver um concerto de um artista pode equivaler a três "riks." As possibilidades são imensas, e é por isso que a Rimark fala de "cripto cultura", uma forma de capitalizar nos benefícios do blockchain e dos ativos digitais beneficiando os dois lados da equação.
"O Masego tem um foco muito claro na comunidade, quer recompensar membros da sua comunidade, da sua base de fãs, pagando às pessoas para partilharem o seu marketing", exemplificou Jeremy Vaughn. "Talvez haja uma empresa de café que quer tornar todas as suas lojas neutras em termos de carbono e os seus tokens estão relacionados com essa missão", continuou. "Isto diferencia a empresa em relação a tudo o que os outros estão a fazer."
O tipo de utilização que os consumidores farão da plataforma também dará indicadores interessantes para as marcas. Por exemplo, alguém que tem cinco tokens de música e dois de atletas tem um perfil mais ligado à música. E se comprou bilhetes para um concerto em Los Angeles, o provável é que esteja lá sediada.
"Queremos focar-nos agora no mercado dos Estados Unidos, ver como as coisas correm, e depois gostaríamos de expandir para a Europa, África e Ásia", diz Jeremy Vaughn. Na União Europeia, a startup terá de desenvolver uma política que esteja em conformidade com as regras do RGPD.
Um aspeto relevante para a startup é também garantir que os tokens cumprem os critérios ESG (Environmental, Social, and Governance), isto é, seguem padrões de excelência quanto à governança ambiental, social e corporativa, colocando "um valor monetário nos ativos intangíveis da empresa." Como interagem com os empregados, como apoiam a comunidade, que iniciativas climáticas têm. "Para nós, este é um alinhamento importante porque estas criptmoedas sociais não são apoiadas por receitas ou propriedades. Têm um valor social intangível."
Como tal, todos os tokens que a Rimark vai lançar estarão numa dessas categorias - um foco no ambiente, um foco na comunidade ou um foco na governança corporativa. A startup usará a plataforma de blockchain Solana, precisamente pelas suas características mais sustentáveis.