O grupo Amorim está a conseguir carregar mais 30% das rolhas de cortiça que habitualmente produz. Tudo graças a um robô industrial especificamente desenvolvido para o maior grupo de transformação de cortiça do mundo. Criado pela famalicence ESI Robotics, o sistema robotizado reduz o volume de transporte em 30% através da organização das rolhas de cortiça e proporciona redução de custos com a logística, produto final e pegada ecológica para o grupo Amorim.
Em causa está um sistema de embalamento 100% português que organiza "as rolha com o intuito de diminuir as emissões de CO2, custos de logística e produto final", de acordo com o comunicado enviado à redação esta segunda-feira.
"O método utilizado anteriormente para embalar e transportar as nossas rolhas, em sacos de ráfia empilhados em paletes, não era o mais eficiente", explica Luís Machado, engenheiro no departamento de engenharia industrial e tecnologia do grupo Amorim. Por isso, a logística de transporte era "fortemente penalizada", uma vez que a quantidade de rolhas transportadas, o peso dos carregamentos e o volume do produto tinha "impacto sobre o valor competitivo do produto".
A solução foi encontrada em Famalicão, na ESI Robotics, segundo o Luís Machado.
"Este projeto surgiu da necessidade de aumentar a produtividade e a eficiência do grupo Amorim, que produz diariamente milhares de rolhas. Quisemos desenvolver um produto totalmente adaptado às necessidades da Amorim, e que ao mesmo tempo que contribuísse para a redução da sua pegada ecológica e custos", refere Gil Sousa, diretor comercial da ESI Robotics.
O sistema automatizado criado propositadamente para o grupo Amorim "é sustentável", visto que é "constituído por uma célula completamente autónoma, um sistema de paletização com robô articulado incorporado, uma palete otimizada para o contentor e caixas com revestimento alimentar".
A solução está já "patenteada a nível internacional", de acordo com a ESI Robotics.
Além desta solução, a ESI Robotics está a desenvolver mais duas linhas de produção para o embalamento de rolhas do grupo Amorim. O projeto integra a tecnologia já desenvolvida e patenteada, integrando dimensões da Internet das Coisas com o objetivo de "retirar dados de produção em tempo real" e conseguir uma "gestão eficiente da produção, previsão e controlo da necessidade de manutenção industrial".
Com quase duas décadas de atividade, a empresa de Famalicão serve hoje grandes multinacionais como a Continental ou o Ikea, estando a planear a internacionalização da sua atividade.