Rock in Rio: A loja de doces para as marcas com dinheiro

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O primeiro Rock in Rio da história

nasceu com o patrocínio de uma cerveja, a Malt 90, lançada pela

Brahma para reconquistar o público jovem. Foi a cerveja exclusiva do

festival no Rio de Janeiro, em 1985. Foi a maior experimentação de

sempre de um produto no Brasil: um milhão e 380 mil pessoas

experimentaram a nova cerveja. O slogan era "O prazer de fazer bem

feito." Só que tudo correu terrivelmente mal. "O produto

estragava-se na bomba depois de alguns meses exposto. De Malt 90

virou Malt Nojenta."

É ainda assim que esta cerveja é

conhecida no Brasil, apesar de ter desaparecido das prateleiras pouco

tempo depois. Roberta Medina, a vice-presidente do festival, conta a

história a poucos meses da 10.ª edição do Rock in Rio Lisboa, que

este ano fez uma revolução na estrutura de patrocínios. "Tem uma

parte que a marca tem de fazer. Não tem milagre." Mas tem retorno,

se as coisas forem bem feitas.

O Rock in Rio Lisboa custa 25 milhões

de euros e não é só com a venda de bilhetes que isso lá vai. Há

cerca de 40 marcas com presença no festival, todas com investimentos

diferentes. "O Rock in Rio é um projeto de comunicação, é feito

por e para marcas." Para que não haja dúvidas, esclarece Roberta

Medina: "É uma plataforma de comunicação de marcas, sim. Só é

viável nessa dimensão e nível de qualidade porque tem um nível

elevado de patrocínios publicitários." Ninguém diz quanto

investe no festival, mas o grosso do dinheiro que entra vem do

patrocinador principal e dos quatro patrocinadores oficiais.

Com a dança de cadeiras que houve este

ano, a cara do festival será diferente. Pode começar por esquecer

os chapéus cor-de-rosa do Millennium bcp. Desta vez, e pela primeira

vez, o patrocinador principal é a Vodafone. "A Vodafone já queria

ser master há muito tempo e não tinha oportunidade", diz ao

Dinheiro Vivo Roberta Medina. "O que a crise traz é esse tipo de

imposição, de tomadas de decisão diferenciadas. As conjunturas

socioeconómicas fazem as marcas caminharem para um lado ou para o

outro." Com a saída do Millennium bcp, a operadora móvel teve a

chance que procurava.

"Os eventos musicais, em particular,

e o Rock in Rio não é exceção, permitem-nos alcançar o objetivo

de atingir um dos principais segmentos-alvo da marca: os jovens",

justifica Sara Oliveira, diretora de marca e comunicação da

Vodafone Portugal. É isso que explica que a fatia do orçamento de

patrocínios da Vodafone Portugal dedicada à música - em que se

incluem o Mexefest, o Paredes de Coura e a Vodafone FM - represente

50% de tudo o que a marca investe em patrocínios.

"Em anos de Rock in Rio, o

investimento da Vodafone é naturalmente maior, pelas características

muito particulares deste evento", nota Sara Oliveira. A operadora

vai voltar a pôr guitarras gigantes em vários pontos da cidade e a

reservar o "Melhor Lugar" do recinto, mas promete iniciativas

novas para a edição deste ano, onde vão tocar os Linkin Park,

Robbie Williams, Arcade Fire e Justin Timberlake.

Além desta troca, e da saída da

Pepsi, há a estreia de três novos patrocinadores oficiais: a EDP, o

Continente e a Caixa Geral de Depósitos. A Heineken/Sociedade

Central de Cervejas renova o patrocínio que vinha já de 2012.

Novas marcas

Sai o Millennium, entra a Caixa. Mas

não é uma troca direta, diz Francisco Viana, diretor de comunicação

e marca do banco, "uma vez que não é o patrocinador principal."

Pode é ser o início de um makeover da sua imagem. A CGD promete

"uma comunicação mais fun, alinhada com o espírito do festival"

nas ações pré-evento. Ou seja, uma imagem que não é normalmente

associada ao banco público. "É uma oportunidade de estarmos

próximos de alvos essenciais para o banco, uma oportunidade de

trabalhar atributos da nossa marca em que pontuamos menos bem, como

jovem, moderna ou inovadora." Até a crise é para aqui chamada:

"É, igualmente, uma oportunidade de demonstrar às pessoas que a

Caixa é uma marca que se reinventa, que está a mudar e que está e

quer estar ao lado delas para dar a volta à situação em que

vivemos." Roberta Medina acha que vai ser um desafio "maravilhoso",

tanto para o banco como para o festival, e lembra que o Millennium

bcp conseguia um "retorno brutal", com a sua presença. "Os

bancos não gastam dinheiro sem contar o retorno. Essa conta ou fecha

ou fecha."

Para a EDP, as contas são simples.

Esteve no Rock in Rio 2013 no Brasil, as coisas correram bem e a

elétrica entrou no festival em Lisboa. A sua associação à música

é um esforço concertado dos últimos anos, com um calendário

constante de eventos, e pode vir a envolver-se ainda mais. "Temos

crescido e reforçado a nossa presença nesta área e 2014 será um

ano cheio de surpresas", diz ao Dinheiro Vivo fonte oficial da

companhia. Porquê? "O retorno positivo nos últimos anos levou-nos

a estudar possibilidade de alargar a nossa presença nestes eventos,

quer através do name sponsoring, quer de novos patrocínios. Temos

uma posição forte neste mercado e os estudos de notoriedade assim o

comprovam." Também é por aqui que a Heineken aborda a renovação

do patrocínio. "A presença da Heineken no Rock in Rio vai muito

além do retorno do investimento. Vem demonstrar que a cerveja

pretende estar cada vez mais associada à música em Portugal", diz

Felipe Gomes, responsável de patrocínios da Sociedade Central de

Cervejas (SCC). Uma das novidades da marca será o Slide Heineken,

que permitirá aos festivaleiros subirem ao palco mais alto da Cidade

do Rock.

O festival está marcado para 23, 25,

30, 31 de maio e 1 de junho, e a venda de bilhetes começa a 25 de

fevereiro, depois do sucesso do Kit de Natal com a Fnac e o cartão

Dá Rock do Continente, que esgotou em seis semanas. O hipermercado

da Sonae estreia-se como patrocinador oficial, justificando-se com

uma "estratégia de associação aos maiores eventos nacionais" e

depois de uma parceria comercial em 2012. "Usando a música como

linguagem universal capaz de unir pessoas em todo o mundo, o Rock in

Rio Lisboa é um veículo de comunicação de emoções e causas,

sendo já uma referência em todo o mundo."

Na edição em que comemora dez anos,

Roberta Medina diz que a meta é a de sempre: reinventar-se. "Tem

um desafio que é constante no Rock in Rio: é que ele precisa sempre

de surpreender o seu público. Não é o mesmo, nunca."

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