Rodrigo Costa "Nós temos interesse em reforçar a rede móvel"

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Rodrigo Costa é um dos gestores mais em foco neste primeiro

semestre do ano. A fusão ou até uma OPA amigável entre a Zon e a

Optimus (que tem metade da capitalização bolsista da antiga TV

Cabo) são dois cenários muito comentados no mercado e há até

analistas que consideram que este é o momento certo para que

aconteça.

Por um lado, a desblindagem total dos votos da empresa, que vai

ser aprovada dia 30, permitirá, pela primeira vez, a equivalência

entre o capital detido e o número de votos. Além de esta mudança

ajudar a criar mercado à Zon, permitirá tornar mais lógico - e

tentador - o reforço de Isabel dos Santos, que hoje controla 10% da

empresa, mas que com o novo enquadramento seria tentada a assumir o

controlo - até porque há um grupo de acionistas, que inclui o BES,

a Ongoing e a Telefónica, que receberam ações da Zon na sequência

do spin-off da PT - ou seja, não compraram no mercado -, o que

facilita a venda dos títulos, apesar do atual baixo preço (a Zon

caiu 31% em bolsa no ano passado). Sobre a desblindagem, Rodrigo

Costa prefere não falar - "é uma matéria dos acionistas"

- mas "compreende" quando acionistas como o BES e a Ongoing

consideram a sua participação na Zon menos estratégica.

A Zon precisa de uma operadora móvel para reforçar a sua oferta

face à PT e resistir melhor? Está para breve este negócio?

Há quatro anos que se começou a falar sobre vários cenários

de consolidação. É um tema recorrente e normal. Não temos mais a

acrescentar. Um dos caminhos para reforçar a nossa área móvel é a

aquisição de frequências LTE (para os telemóveis 4G). Esta era a

via que pretendíamos seguir. Mas a forma como foram definidas as

regras do leilão, em dezembro, não nos permitiu lançar um projeto

sustentável. Mantemo-nos na expectativa das decisões futuras do

governo e do regulador do sector quanto à forma de concessão futura

do espectro móvel disponível.

O presidente do BES, Ricardo Salgado, admitiu que a participação

do BES na Zon é menos estratégica do que na PT. A Ongoing também

já disse que a sua participação na Zon é apenas financeira. 2012

será o ano de reestruturação acionista da Zon?

Os grupos a que refere têm sempre mostrado o seu apoio às

iniciativas da empresa. Compreendemos as observações que foram

feitas, mas isso não retira absolutamente nenhum valor à

experiência que temos vivido nem à confiança com que nos tem

distinguido. Quanto ao futuro, não há muito a dizer. Somos uma

empresa cotada em bolsa, estamos sujeitos a essa dinâmica de mudança

da base acionista.

Falemos um pouco sobre Angola. Como é que está a correr a

operação [a Zon tem 30% da ZAP, controlada por Isabel dos Santos] e

qual é o peso de África nos resultados da Zon?

A ZAP é hoje uma marca com grande notoriedade e prestígio em

Angola. Em Moçambique também já tem uma atividade com significado.

Estamos bastante satisfeitos, continuamos muito empenhados com o

projeto e tudo corre de acordo com as nossas melhores expectativas. A

ZAP já tem mais de 300 agentes espalhados pelo território angolano

e uma presença consolidada. A nossa posição em relação à

divulgação pública de resultados da ZAP é que essa comunicação

será feita em Luanda e não em Lisboa, razão por que mantemos a

nossa reserva quanto a dar mais indicadores.

Já tem previsões sobre o impacto da ZAP nas contas da Zon?

Ultrapassada a fase inicial de investimento e lançamento, a ZAP

rapidamente passará a ter um impacto positivo no nosso EBITDA, o que

está previsto acontecer já para 2012.

Mas ainda continuam a alguma distância do líder de mercado....

O mercado angolano e moçambicano está em expansão e a ZAP está

a crescer a muito bom ritmo, a nossa expectativa é de continuar a

reforçar a nossa oferta, continuando a apostar em conteúdos

diferenciadores e serviços de grande qualidade sustentados por uma

rede de distribuição eficiente. A ZAP destaca-se por ter conteúdos

próximos dos gostos dos diversos públicos de angolanos e vai

continuar nesse caminho.

Em Portugal, a Zon aumentou o número de clientes no cabo e

reforçou na rede fixa. Mesmo assim, a Meo continua a crescer. Face à

recessão prevista para 2012, como prevê que evoluam os números das

operadoras?

Ainda não divulgámos os nossos resultados de 2011, mas os

últimos números participados ao mercado relativos aos primeiros

nove meses do ano mostram que a Zon manteve o número total de

clientes de televisão, cresceu na TV por cabo, na Internet e na voz

fixa. Partilhamos a apreensão de todos os portugueses em relação a

2012, mas também continuamos a acreditar que este sector tem uma

grande capacidade de resistência à crise. Nós fornecemos serviços

de telecomunicações, conteúdos informativos e de entretenimento a

um preço muito acessível. O nosso leque de produtos e preços

permite que os nossos clientes escolham o serviço que melhor se

ajusta à sua capacidade financeira do momento.

Pode concretizar?

Nos últimos anos melhorámos muito a qualidade e conteúdo da

nossa oferta e daí continuarmos a ser uma empresa que continua a

merecer a preferência de mais de um milhão e meio de clientes. Os

grandes investimentos que fizemos na nossa rede e nos nossos sistemas

de acesso permitem que hoje ofereçamos aos nossos clientes soluções

que estão ao nível do melhor que se faz no mundo. O nosso sistema

IRIS, de navegação na TV e Internet, foi premiado várias vezes em

2011 em diversos certames internacionais.

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