O presidente da Câmara Municipal do Porto acredita que a falta de apetite da TAP na cidade só deverá alterar quando a companhia for entregue aos privados. "A TAP deixou de ser relevante para o Porto. Acredito que as coisas possam mudar se houver uma privatização, se for vendida a um operador internacional que olhe para ao país de como um mercado e não apenas para um único destino dentro de Portugal", disse Rui Moreira, esta quinta-feira, 16.
O presidente da autarquia, que falava aos jornalistas à margem do MIPIM - feira internacional de imobiliário que decorre em Cannes, na França, até sexta-feira - lamentou o desinvestimento da transportadora de bandeira no Porto e atirou responsabilidades ao governo socialista.
"Espero que os novos donos olhem o aeroporto do Porto e de Faro. As outras companhias dizem que ganham dinheiro no Porto e a TAP diz que perde. Ou é um problema político ou de gestão. Espero que o novo acionista queira ganhar dinheiro naquela que é a operação no aeroporto Francisco Sá Carneiro", referiu.
Com a privatização à vista há, para já, três nomes de potenciais compradores da companhia em cima da mesa. A Lufthansa, a Air France-KLM e a IAG, dona da espanhola Ibéria e da British Airways. Para o autarca, a opção mais vantajosa para o Porto, e para o país, é clara. "Em termos daquela que é a estratégia nacional, em que a manutenção de um hub é conveniente - e deve ser Lisboa, não há dúvidas sobre isso - das três potenciais concorrentes a minha preferência recai por aquela que tem hubs mais distantes", adiantou.
Sobre o papel de Christine Ourmières Widener na companhia, Rui Moreira refere que este foi "pior" face à administração anterior "uma vez que a TAP passou a ter menos serviços no Porto e já não é relevante na cidade". O presidente do município adianta ainda não esperar mudanças relevantes com a entrada do novo CEO, Luís Rodrigues, que acredita que irá seguir as diretrizes do Executivo liderado por António Costa. "Esta nova administração vai seguir aquelas que são as recomendações do governo. Sendo uma empresa pública é normal que siga os desígnios do governo, a culpa não é da administração", conclui.
No passado fim de semana o Presidente da República disse esperar um desfecho rápido na privatização da companhia mostrando-se convicto de que não faltarão interessados na empresa pública.
*A jornalista viajou a convite do Greater Porto