Num ano em que a vindima se mostra "nada homogénea", há zonas da Região Demarcada do Douro com perdas de 30 a 40% de produção, e outras que preveem conseguir manter os níveis do ano passado, diz o presidente da Casa do Douro / Federação Renovação do Douro. Sobre os preços ao viticultor, Rui Paredes diz que "ainda é cedo" para aferir, até porque a vindima nem a meio vai. Admite que haja alguma valorização da uva, mas que "não vai acompanhar, de todo, o aumento dos custos de produção".
"Este ano, em princípio, será um ano em que vamos valorizar a uva no mercado. Nesse aspeto será um ano positivo, agora não sei é se acompanhará as perdas que vamos ter da produção", diz Rui Paredes. Não irá é conseguir acompanhar de todo o aumento dos custos de produção, admite, sublinhando que "os pequenos produtores sentem muito isso porque não têm escala para poderem negociar e minorar o crescimento dos preços dos fitofármacos e outras matérias-primas".
A questão não se coloca apenas, reconhece, do lado do viticultor. "Há outra reflexão que é preciso fazer que é o preço a que o vinho chega ao consumidor, é muito difícil fazer esse aumento no consumidor, porque uma família, hoje, tem um cabaz e, [com o disparar da inflação], chega um ponto que não dá para o vinho".
Rui Paredes reconhece que a sustentabilidade social e económica da região é a "pedra de toque", aquilo por que "é preciso lutar", na medida em que "a perder dinheiro", o viticultor chega ao fim da campanha e questiona-se se vale a pena continuar. A solução seria valorizar o produto, embora 2022 não seja, à luz da instabilidade atual e do disparar da inflação, o melhor ano para isso. "Temos que tentar aumentar a produção porque os custos nunca os vamos conseguir controlar", defende.
Falando ao Dinheiro Vivo a propósito dos 266 anos da demarcação da Região Demarcada do Douro, que hoje se assinala, este responsável considera que todos, das grandes às pequenas empresas, passando pelas cooperativas, têm vindo a fazer o seu trabalho de divulgação e preparação dos viticultores para as alterações climáticas, destacando, ainda, o trabalho da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) na investigação destas temáticas, bem como da PORVID - Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira, no estudo dos clones e das castas autóctones, escolhendo as que melhor podem resistir a condições meteorológicas extremas.
"É muito importante irmos para o terreno sensibilizar as pessoas. É uma componente muito importante, não podemos estar sempre à espera que seja o Estado a fazer as coisas, é preciso haver iniciativa e nós, no Douro, temos ido para o terreno alertar as pessoas", diz.