A Ryanair pode estar a um passo de deixar de voar para os Açores, devido ao aumento das taxas nos aeroportos da região. Nesse sentido, a companhia aérea low cost pediu, esta quinta-feira, 25, ao governo que intervenha junto da ANA e reverta "o aumento das taxas aeroportuárias nos Açores (+26%) e na Madeira (+18%)", aplicado este ano, e que atue no sentido de "eliminar a sobretaxa de 96% sobre a segurança dos passageiros".
A transportadora irlandesa pede ao governo que proteja, desta forma, "os empregos, o turismo e a conectividade" dos dois arquipélagos e que reverta, ainda, "a inclusão das regiões no regime ETS [Emissions Trading System] para todas as companhias aéreas que voam a partir dos Açores".
A companhia defende que este regime irá retirar competitividade aos Açores em comparação com outras regiões que estão menos expostas ao ETS.
"Mais de 3,2 mil milhões de euros do dinheiro dos contribuintes portugueses foram desperdiçados no resgate da TAP, mas o Governo nada fez para proteger a conectividade e o emprego nos Açores. O aumento das taxas aeroportuárias tem um impacto significativo nos aeroportos regionais, colocando em risco o crescimento - especialmente de duas economias insulares completamente dependentes do turismo", alerta, em comunicado, o presidente-executivo da companhia.
Eddie Wilson garante que a Ryanair "está na melhor posição para fornecer a capacidade, o tráfego e o investimento necessários para impulsionar a recuperação dos Açores após a Covid" com tarifas baixas mas que, para isso, "o governo deve agir agora e introduzir custos de acesso mais baixos para proteger a recuperação e o crescimento do turismo".
A Ryanair ameaçou deixar de voar para os Açores já no próximo inverno e está, atualmente, em negociações com o governo regional.
Apesar de a companhia exigir a redução das taxas pagas nos arquipélagos, tanto ao governo como ao executivo local, é à ANA, a gestora dos aeroportos nacionais, que compete esta pasta.
Recorde-se que a ANAC chumbou a primeira proposta de atualização tarifária apresentada pela ANA, em outubro de 2022, referente aos valores a aplicar este ano por esta ser "demasiado elevada". O regular aprovou, por fim, em março, a segunda tabela da empresa detida pela Vinci.