Saber relembrar quem nos ensinou deve ser um estímulo para tentarmos ser cada vez melhores pelo seu exemplo. Neste início de Julho cumprem-se 5 anos sobre a morte de Américo Amorim e 11 anos de Diogo Vasconcelos, duas figuras de referência com quem tive o privilégio de aprender. Ambos foram, no seu contexto, dois grandes exemplos. E os exemplos mais do que nunca importam em Portugal neste tempo de reflexão sobre o futuro. Ambos souberam dar o seu melhor pelo projeto de um Portugal Inovador e Ambicioso e a sua visão estratégica esteve sempre presente nas grandes decisões que tiveram que tomar qnas áreas onde intervieram. Américo Amorim e Diogo Vasconcelos era pessoas com uma inteligência rara, uma visão única do futuro, que dedicaram muito do seu tempo a interpretar a realidade dum país para o qual também queria uma agenda de ambição global.
Américo Amorim nos seus grandes projetos empresariais e Diogo Vasconcelos na sua intervenção pública na inovação e conhecimento acreditavam que na vida e nos projetos importa assumir uma cultura de risco inteligente. A matriz comportamental da população socialmente activa do nosso país é muitas vezes avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Importa por isso mobilizar as capacidades positivas de criação de riqueza. Fazer da gestão do risco e da ambição as alavancas duma nova criação de valor que conte no mercado global dos produtos e serviços verdadeiramente transaccionáveis sempre foi uma das grandes ideias de ambos na sua batalha pela modernidade.
Estas duas figuras únicas com quem tive o privilégio de aprender eram muito o exemplo do que deve ser a aposta sustentada na estratégia. A falta de ambição e de um sentido de futuro, sem respeito pelos factores tempo e qualidade não eram para ambos toleráveis nos novos tempos globais. Segundo as suas sábias palavras, precisamos de novas ideias, de novas soluções, de projectar na sociedade o exercício da responsabilidade individual de forma aberta e participada. Ambos eram pessoas onde a vontade de fazer coisas novas e diferentes corria à velocidade do som. Ambos souberam melhor do que ningém interpretar o sentido do tempo e a importância de se ser diferente num mundo onde tudo é cada vez mais igual.
Ambos eram também pessoas que promoviam muito a partilha da informação e do conhecimento. A ausência da prática de uma cultura de cooperação tem-se revelado mortífera para a sobrevivência das organizações e também aqui a sua mensagem foi sempre muito clara. Na sociedade do conhecimento sobrevive quem consegue ter escala e participar, com valor, nas grandes redes de decisão. Num país pequeno, as empresas, as universidades, os centros de competência têm que protagonizar uma lógica de cooperação positiva em competição para evitar o desaparecimento. Por isso, ambos defendiam uma capacidade de integração positiva, com dimensão estratégica capaz de se consolidar a médio prazo.
A memória de Américo Amorim e Diogo Vasconcelos continua bem viva em todos aqueles que acreditam numa agenda positiva de criação de valor global para a economia portuguesa. O seu forte sentido estratégico e grande capacidade de gestão operacional foram a base do crescimento de um dos maiores grupos empresariais do país. E a sua indomável vontade em mobilizar equipas para a batalha da modernidade empresarial continuará a ser uma referência presente nos desafios de futuro da economia portuguesa. Por isso é mais do que uma obrigação relembrar a sua memória e o muito que nos ensinaram.
(Nota: o autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)
Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade