Pela primeira vez na sua história o Salão Imobiliário de Portugal acontece dez dias antes da entrega do Orçamento do Estado na Assembleia da República, um fato que o presidente da APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, que este ano assume a presidência do Conselho Estratégico do SIL, vê como uma oportunidade para o setor poder vir a influenciar a versão final do documento. Isto numa altura em que continuam as incógnitas relativamente à criação de um novo imposto sobre o património imobiliário.
“Esperamos vir a ter uma palavra a dizer, que o SIL venha a ter uma maior intervenção política”, diz Luís Lima ao Dinheiro Vivo, sublinhando que “não passava pela cabeça de ninguém que estaríamos a falar de um novo imposto”. “Mas ainda vamos a tempo de lançar o alerta” para as consequências de uma nova taxa sobre o património imobiliário, que poderá vir a ser incluída no OE 2017. “Estamos a monitorizar o investimento estrangeiro e esperamos poder vir a demonstrar, ainda durante o SIL, o impacto do novo imposto no investimento estrangeiro.”
De acordo com o presidente da APEMIP, o investimento direto estrangeiro no setor do imobiliário subiu de 20% para 23% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, devendo chegar aos 4.000 milhões de euros no final de 2016. “Gostava que me dissessem qual é o setor que traz tanto dinheiro para o país”, refere o Luís Lima, lembrando que além do investimento direto há a contabilizar os gastos feitos em construção, por via da reabilitação, decoração e restauração, entre outros.
A APEMIP mantém a estimativa de que o investimento no setor imobiliário venha a crescer cerca de 30% a longo do ano, uma previsão sustentada no crescimento de 27% que já se verificou no primeiro semestre. Mas Luís Lima receia que a possibilidade de vir a ser criado um novo imposto possa pôr em risco esta meta, já que poderá afetar “a credibilidade” de um setor em que os investidores exigem “alguma segurança”. “Era um setor que estava a crescer e a criar emprego. O que seria das pessoas que vieram de Angola [trabalhadores afetados pela crise do mercado] se não fosse a reabilitação urbana? E não é emprego e crescimento à custa do nosso dinheiro, mas do investimento estrangeiro e da confiança.”
A fiscalidade e o impacto que esta possa vir a ter no setor imobiliário é tema do seminário organizado pela APEMIP durante o SIL 2016, que irá ainda abordar a relação entre do setor com o turismo, o potencial da reabilitação urbana e a problemática do arrendamento e alojamento local, numa altura em que cresce a interdependência entre Turismo e imobiliário.
“Pela primeira vez na historia do imobiliária o investimento estrangeiro é muito mais diversificado e acompanha o desenvolvimento do turismo”, refere Luís Lima, lembrando que os ingleses já não são os principais investidores e que o Algarve já não é destino quase exclusivo. “Hoje em dia com o investimento de outras nacionalidades, como a francesa, o investimento chegou a Lisboa e ao Porto, e há-e chegar a outros destinos se não fizermos asneira”, diz.