Um
estudo elaborado pelo Grupo Michael Page, consultora em recrutamento
especializado dá conta que dos vários sectores da economia é no
retalho que se encontram as maiores diferenças salariais.
Do
gerente de loja ao supervisor de operações, as remunerações
auferidas por profissionais da área tornam-se distantes
independentemente de um profissional deter apenas um curso técnico
ou uma licenciatura, referem.
"Este
factor deve-se, principalmente, ao facto das profissões disponíveis
neste sector serem, muitas vezes, procuradas por profissionais
qualificados em termos de experiência mas não de educação
superior. Tal factor reflecte, não só a actual conjuntura económica
do país, mas também a média salarial auferida pelos profissionais
do sector".
De
acordo com o estudo no retalho e numa empresa de média dimensão, "a
profissão mais bem paga é ao Supervisor de Operações que aufere
entre 25.200 euros a 28.000 euros, contrastando com o Supervisor de
Loja que tem uma remuneração anual entre os 18.200 euros e 22.400
euros. Duas profissões que se complementam e que andam lado a lado,
no entanto, com valores bastante diferentes".
Para
o presidente da Confederação do Comércio de Portugal (CCP) estes
valores "parecem um pouco exagerados no que diz respeito aos
valores que actualmente se estão a praticar".
João
Vieira Lopes sublinha mesmo que "actualmente o nível dos salários
que se está a pagar no retalho é em média 25 a 35% abaixo dos que
já estão nos quadros das empresas, para os menos qualificados a
diferença é mais baixa porque os salários também são muito mais
baixos".
Ao
fazer o retrato do sector o presidente da CCP adianta que "há mais
procura do que oferta de empregos" e tal deve-se a três vectores,
"a saída de cadeias importantes, que foram adquiridas por outras,
o ritmo de aberturas de novos espaços que não subiu e a baixa média
de vendas que leva os operadores a reduzirem ao máximo o número de
colaboradores".
Ao
detalhar mais os diferentes níveis dentro do sector a Michael Page
refere que um director regional, que tem sob a sua responsabilidade a
gestão de vários pontos de venda e está ligado à gestão de
equipas a nível comercial e de acordo com a imagem corporativa da
empresa numa zona geográfica concreta ganhará no máximo, no
retalho generalista 65 mil euros anuais, subindo para 110 mil euros
anuais na especializada e para 115 mil euros na alimentação.
O
director de compras, que tem normalmente formação superior na área
de gestão ou marketing ganha no retalho especializado cerca de 90
mil euros e no alimentar 105 mil euros anuais.
Um
director de grande superfície, que "é sempre um comercial, um
organizador e um chefe de equipa, que dirige a actividade comercial
do seu ponto de venda ou do conjunto de pontos, elabora e valida os
pressupostos, bem como organiza globalmente o pessoal", ganha no
máximo no retalho generalista 35 mil euros, no especializado 75 mil
euros e na alimentação 95 mil euros.
O
retail manager, cuja função tem vindo a aumentar de importância
bem como o campo de acção nos últimos anos, "devido à expansão
e crescimento das empresas, através de uma rede de lojas tanto
próprias com o franchisadas", ganha anualmente no retalho
generalista, no especializado e na alimentação 80 mil euros.
Um
gerente de loja, normalmente é o responsável de uma pequena loja a
que se "exige uma boa experiência em vendas e gestão de uma
equipa comercial, em alguns casos, com uma formação máxima ao
nível do bacharelato", segundo o estudo, que revela que estas
funções auferem anualmente 35 mil euros no retalho generalista e 45
mil no especializado e alimentação.
Um
chefe de secção que reporta ao chefe de departamento ou director de
loja ganha anualmente entre 26 mil e 30 mil euros.
O
estudo da Michael Page revela ainda que "os profissionais que
trabalham nesta área, no retalho, sentem que tem de existir um
esforço duplo para se conseguirem equiparar a profissões como chefe
de vendas, por exemplo".