Santander CF planeia triplicar financiamento online

O Santander Consumer Finance e a easypay criaram uma nova solução de crédito ao consumo online. Objetivo é crescer nesta área, mas o CEO do banco admite que a guerra na Ucrânia e a subida de juros podem gerar alguma "perturbação" no setor.
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A pandemia veio acelerar as compras online. Uma tendência que tem sido sentida a nível global e tem impulsionado outras áreas de negócio, incluindo o financiamento digital de crédito. No caso do Santander Consumer Finance (SCF), o e-commerce já representa cerca de um terço dos créditos concedidos no conjunto dos diferentes setores do retalho em que opera. E a meta é triplicar o volume este ano, revelou ao Dinheiro Vivo Nuno Zigue, presidente executivo da instituição, sem revelar valores concretos.

Os consumidores, cada vez mais, preferem ter o banco no "bolso" e realizar o maior número de operações através do telemóvel. Motivo pelo qual a área de financiamento em e-commerce tem sido o foco do banco do Santander especializado no financiamento para as áreas de consumo e automóvel, que disponibiliza uma solução online para realizar pagamentos com o financiamento assegurado em minutos. Questionado sobre se estas soluções digitais e quase instantâneas não acarretam maior risco de incumprimento, Nuno Zigue defendeu que as ofertas tecnológicas do banco "conjugam rapidez e comodidade para o cliente com o que de melhor se produz no mercado em termos de prevenção de riscos". E garante que não dispensam "meios de confirmação da identidade do cliente, mecanismos de deteção e prevenção de fraude, de prevenção de branqueamento de capitais e de avaliação do perfil creditício do cliente".

Para alcançar o objetivo de triplicar o peso desta área, o Santander Consumer Finance quer levar esta solução a mais de 100 marcas. Atualmente, é disponibilizada nas lojas online de marcas como a Xiaomi, Huawei, Samsung, iStore, KTM, Kia, Peugeot ou, por exemplo, Citröen. Para tal, estabeleceu uma parceria com a easypay que consiste em "disponibilizar aos seus clientes (comerciantes) um novo meio de pagamento nas suas lojas digitais: crédito online", explicou Sebastião Lancastre, CEO desta fintech portuguesa. O responsável detalhou que esta parceria é a "resposta a uma necessidade de mercado, sobretudo quando estamos a falar de compras de valor mais elevado como bicicletas elétricas, eletrodomésticos e mobília para a casa, cujo valor pode não ser suportado pelo tradicional cartão de pagamento". Foi a partir deste cenário que as empresas decidiram unir esforços e "trabalharam durante largos meses" para conseguir encontrar "uma solução técnica e legal que permitisse, por um lado, ser simples de utilizar e, por outro, que aliviasse a carga administrativa que ainda existe quando se concede um crédito", detalhou.

Guerra obriga a rever metas

Para o Santander Consumer Finance, 2021 foi um ano de recuperação de volume de financiamentos, após um 2020 fortemente impactado pela pandemia. As perspetivas para 2022 "eram de um regresso gradual" a níveis de atividade pré-pandémica, cenário que terá de ser revisto, em função do desenrolar do conflito na Ucrânia e dos respetivos efeitos induzidos na economia mundial, revelou o CEO do banco. No entanto, Nuno Zigue mostra-se confiante de que "qualquer que venha a ser a dimensão do mercado, o Santander Consumer Finance continuará a ganhar espaço".

Sobre o expectável aumento das taxas de juro, relembra que "para as instituições financeiras que participam no mercado do crédito ao consumo, os momentos de subidas das taxas de mercado geram sempre alguma perturbação". E acrescenta que podem "até produzir, pelo menos momentaneamente, uma compressão das margens, na medida em que o livre jogo da concorrência tende a fazer com que a repercussão nas taxas oferecidas aos clientes seja mais lenta que a subida dos custos de funding".

No que toca às medidas que o regulador tem implementado para diminuir os riscos de incumprimento, como, por exemplo, o limite à taxa de esforço e aos prazos no crédito à habitação e ao consumo, Nuno Zigue considera que "são benéficas para os consumidores mais vulneráveis e para o sistema financeiro", uma vez que visam "prevenir excessos do mercado".

Questionado sobre se deveria haver mais limites ao crédito ao consumo para proteger os consumidores, especialmente numa altura de inflação muito alta, o responsável começou por destacar que "embora pareça certo que entrámos num ciclo de subida dos preços ao consumidor e das taxas de juro, ainda paira muita incerteza quanto à amplitude e à duração das subidas e como ambas se influenciarão reciprocamente". E, na visão do CEO do banco, "a confirmarem-se alguns dos cenários mais gravosos, conheceremos um arrefecimento da atividade económica e do consumo - nesse contexto, temo que a menor das nossas prioridades será a imposição de limites ao crédito ao consumo".

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