No processo de concretização de uma ideia de negócio, os empreendedores precisam de ter acesso a mentores que, com a sua experiência e disponibilidade, possam ajudar a evitar ou a minimizar erros de percurso, a colmatar as deficiências dos projetos ou a contribuir para que o negócio evolua.
Portugal tem um número considerável de cidadãos ativos com reconhecido mérito empresarial, cujo percurso e histórias sobre como fazer acontecer, falhas e aprendizagens, podem servir de inspiração e ser de grande utilidade aos potencias empreendedores. Acresce que estas pessoas dispõem normalmente de uma redes de contactos que, se devidamente ativada, pode ser de grande utilidade ao percurso dos projetos empresariais.
Contudo, o acesso a essas pessoas é particularmente difícil na fase inicial de criação de uma empresa, nomeadamente pelo facto de os seus ativos não serem suficientemente apelativos para atrair a atenção desses mentores "qualificados".
A existência de redes de mentores pode ser uma boa solução para colmatar esta "falha de mercado", sendo, contudo, necessário evitar os erros do passado.
Muitas das redes de mentores que foram criadas nos últimos anos, não obstante o financiamento alocado, não conseguiam dar resposta às necessidades efetivas dos empreendedores. O facto de as entidades gestoras destas redes não terem uma ligação comprometida com os empreendedores e, ou, com os mentores, associada a lacunas no suporte técnico e na mediação dos processos de mentoring, ajudam a justificar, em parte, esta situação.
Por outro lado, as redes de mentores que demonstraram ter mais sucesso, foram as que estavam ancoradas em comunidades com afinidades e compromissos no apoio mútuo ao seu desenvolvimento, cujos incentivos eram essencialmente de caráter institucional. Contudo, o fator mais relevante foi a gestão eficaz dos processos de mentoring, quer na fase de definição dos planos de trabalho, quer na dinamização das atividades entre mentores e "mentorandos".
O sucesso de um processo de mentoring depende essencialmente da forma como os dois principais interlocutores assumem o compromisso com o processo, mas no contexto atual de maior consciência do valor do tempo, a liderança dos processos de mediação é cada vez mais determinante.
Acredito, por isso, que a inteligência coletiva das redes de mentores, se dotadas do contexto, incentivos e suporte técnico adequados, podem ser um ativo muito relevante na dinamização do empreendedorismo.