Sem bancos portugueses: Bradesco e Itaú pagam OPA à Cimpor

Publicado a

O financiamento da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Camargo Corrêa sobre a Cimpor vai ser assegurado pela própria empresa e por empréstimos de longo prazo junto de alguns dos principais bancos brasileiros. Em resposta a uma pergunta do Dinheiro Vivo, José Édison Barros Franco, presidente da InterCement (holding da Camargo Corrêa para os cimentos), revela que as instituições são o Bradesco, Bradesco de Investimento, Banco do Brasil e Banco Itaú BBA.

Estes dois bancos têm presença direta em Portugal, sendo que o Itaú e ainda acionista de referência do BPI. O Bradesco é acionista do BES, banco que foi através do BESI, foi o coordenador da oferta pública de aquisição lançada pela também brasileira CSN sobre a Cimpor no final de 2009.

Camargo conversou com acionistas da Cimpor antes de lançar OPA

Desde que entrou no capital da Cimpor, nos últimos dois anos, a Camargo Corrêa teve oportunidade de contactar com "os acionistas de referência, e interpretar os interesses dos vários acionistas e os seus planos para o futuro", diz o presidente da InterCement em resposta escrita ao Dinheiro Vivo.

Questionado sobre se houve contactos prévios com os accionistas de referência ou o governo português antes de anunciar a oferta, na sexta-feira passada, José Édison Franco, confirma que "foram realizados todos os contatos necessários para cumprir com as disposições legais e preservar as relações institucionais de InterCement e Cimpor com todas as entidades".

Camargo admite acordo futuro com Votorantim sobre ativos no Brasil

O presidente da InterCement, holding da Camargo Corrêa que lançou uma oferta pública de aquisição sobre a Cimpor, nega ter já feito um acordo com a Votorantim, a outra accionista brasileira da empresa portuguesa, para a troca de ativos no Brasil. "Acreditamos que a oferta que lançamos é uma boa oportunidade para todos os acionistas, mas a decisão final caberá, naturalmente, a cada um".

Contudo, José Edison Franco "não afasta a possibilidade de um futuro acordo que possa permitir melhor administração para a companhia, bem como atender às questões relacionadas com defesa da concorrência no Brasil". A Votorantim pode ser decisiva para o sucesso desta oferta até porque tem direito de preferência sobre a participação de 9,6% que a Caixa Geral de Depósitos já anunciou que vai vender na OPA.

Estas são contudo matérias para tratar depois da concretização da oferta, bem como as exigências que as autoridades de concorrência brasileiras vierem a colocar à concentração dos ativos da Cimpor e da Camargo naquele mercado.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt