Os Estados Unidos são e sempre foram o centro dos mercados financeiros a nível mundial. Durante quase dez anos, as bolsas norte-americanas conheceram apenas o sentido ascendente.
O índice accionista S&P 500 subiu mais de 300% desde 2009, ultrapassando sucessivamente os máximos históricos e recuperando vigorosamente das fortes quedas originadas pela crise do subprime. Contudo, as últimas semanas têm sido difíceis para os investidores. A pressão vendedora de acções tem precipitado a queda das bolsas.
As empresas tecnológicas assumem a liderança pela negativa e registam as maiores perdas dos últimos seis meses. Simultaneamente, o preço das obrigações desce, à medida que os juros da dívida norte-americana sobem no mercado, atraindo o interesse dos investidores.
Quando em 2007 e 2008 a Reserva Federal cortou os juros de referência do dólar de 5.25% para 0.25%, os investidores refugiaram-se em activos de maior retorno, como as acções, em alternativa aos baixos juros pagos pelas obrigações.
A FED injectou biliões de dólares no mercado, fazendo a liquidez aumentar substancialmente. Sentados numa “pilha” de dinheiro, os investidores e gestores de fundos procuraram rentabilizar essa liquidez, canalizando uma importante fatia para o mercado accionista. Mais do que os fundamentos macroeconómicos do país, foi a necessidade de investir a todo o custo que provocou uma subida quase linear das bolsas dos Estados Unidos.
Várias vezes se falou em bolha accionista mas, nunca como agora se receou o fim do actual bull market e o início de um verdadeiro ciclo de bear market.
O medo deste “mercado urso”, cuja origem do nome encontramos na forma como este animal ataca as suas presas – de cima para baixo – é agora uma realidade latente. As recentes subidas dos juros por parte da FED, colocando a taxa de referência nos 2.25%, fez acordar um monstro adormecido na última década.
O efeito da subida dos juros das obrigações do Tesouro norte-americano, que a 10 anos já estão nos 3.20%, faz aumentar os receios de uma venda massiva de acções e desvio do investimento para os mercados de retorno absoluto, onde as taxas de juro começam a estar em níveis mais atractivos. O risco inerente ao mercado accionista já não compensa face à subida da remuneração dos activos de menor risco. Com a subida dos juros, o preço das obrigações desce para níveis mais atractivos, captando a atenção dos investidores.
Será este o momento de viragem, em que a redução da exposição ao mercado accionista pode provocar um verdadeiro terramoto nas bolsas de valores? Apesar dos juros do euro não acompanharem a subida da taxa de juro do dólar, as bolsas europeias, que subiram apenas 80% desde 2009, irão sofrer por contágio, fruto da globalização dos mercados financeiros.