Sete top trends na Administração Pública

Movimento Beyond - Portugal Digital Revolution quer pôr Portugal na "vanguarda da revolução digital".
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A consultora EY - Ernst & Young identificou sete top trends para a Administração Pública, no âmbito da 2ª edição do Beyond - Portugal Digital Revolutions, um movimento de reflexão sobre a temática da transformação digital.

Este movimento organizou uma conferência esta terça-feira para discutir esta temática e de que forma vai impactar as cidades e a sua gestão, apontando caminhos "disruptivos para corresponder às motivações de cidadãos cada vez mais esclarecidos e exigentes".

1- Estratégia digital, setor público 4.0 e reforma do Estado

A Administração Pública tem de implementar uma nova fase da estratégia final tendo em vista a introdução de canais digitais como meios preferenciais nas interações dos cidadãos com as diferentes entidades do Estado. Uma fase que obrigará uma "reorganização funcional da própria Administração Pública, numa ótica transversal e compreensiva de reforma do Estado".

2- Foco no cidadão

O sucesso de qualquer estratégia de digitalização tem de se centrar no cidadão. E por isso é necessário conhecer as "efetivas" e "concretas" preferências dos cidadãos, "moldando os serviços públicos à prossecução eficiente da satisfação das suas necessidades". Paralelamente deverão "acentuar-se" e "aperfeiçoar-se" os "deveres informativos" dos organismos e serviços públicos.

3- Criação de normas, interoperabilidade e funcionalidade alargada dos sistemas de informação

Para responder às necessidades dos cidadãos o Estado necessita de utilizar novos meios de resposta, recorrendo ao desenvolvimento de "plataformas" que permitam uma plena interoperabilidade entre os sistemas desenvolvidos pelos diferentes níveis do Estado (local e central) e os das empresas privadas concessionárias dos serviços de interesse geral, nomeadamente no setor das águas, energia, telecomunicações e outras infraestruturas.

4- Aposta nos territórios inteligentes e democratização da inovação

O planeamento do desenvolvimento do território é fundamental. O objetivo é integrar o próprio país, a região, as áreas metropolitanas, as cidades, as vilas, as aldeias e as áreas rurais tendo como pressuposto a sua inclusão "num ecossistema smart , potenciando uma interação direta entre o cidadão e o gestor público". No fundo, tornar os territórios "mais adaptáveis e inteligentes".

5- Educação digital e a exclusão digital

A digitalização vai acelerar ainda mais o tráfego económico e quem não perceber isto ficará "numa área de retrocesso social". A promoção de uma "verdadeira" e "própria" educação digital inclusiva é por isso "essencial". Será um processo contínuo que deverá começar pela "mudança do paradigma vigente" no que concerne à relação dos cidadãos com as entidades públicas. Nesse sentido os trabalhadores das diferentes entidades da administração pública deverão ter acesso a "diferentes modelos de formação (web based)".

6- Aumento da eficiência na gestão financeira pública

Tendo em conta que a gestão pública é cada vez mais confrontada com novos desafios, que obrigam a uma maior preocupação com a gestão financeira e a uma maior responsabilização efetiva dos decisores políticos, com base em transparência e accountability. É neste contexto que a introdução de soluções digitais poderá originar um maior benefício ao nível da atuação das estruturas públicas. Uma das medidas sugeridas passa pela alteração do modelo de gestão financeira assente na gestão de caixa (adequação das receitas em função da despesa) para sistemas assentes na criação de valor (sistemas de acréscimo).

7- Do Estado autoritário ao Estado Parceiro. Redefinição de processos

A introdução de plataformas digitais irá obrigar também a uma "efetiva revisão" de processos ao nível interno de cada serviço. No fundo, introduzir uma nova cultura na administração pública. A ideia é encorajar a "alteração de comportamentos" com novas "abordagens" e o desenvolvimento progressivo de equipas ou unidades para apoio da inovação em novas metodologias.

O Beyond iniciou-se, em 2016, com o tema Portugal Digital Acceleration e é uma iniciativa da EY que tem como objetivo "catalisar" um movimento de reflexão e debate que resulte em estudos e recomendações para posicionar Portugal na "vanguarda da revolução digital".

A 2ª edição do Beyond – Portugal Digital Revolutions, arrancou com as conferências de Saúde e Turismo e de Administração Pública e vai continuar nos próximos dias, com encontros setoriais em diversos áreas estratégicas para Portugal, como, Telecomunicações Media e Tecnologia de Informação (26 de outubro), Banca e Seguros (14 de novembro), Energia (16 de novembro) e Indústria (29 de novembro).

Na Conferência Final, agendada para 12 de dezembro, vão ser apresentadas as principais conclusões, divulgados casos de sucesso e apontados caminhos estratégicos para as empresas portuguesas na era da revolução digital.

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