Sindicatos consideram "inaceitável" aumento salarial de 2,5% proposto pelo BCP

Sindicatos afetos à UGT reivindicam, desde novembro, a atualização das tabelas salariais e restantes cláusulas de expressão pecuniária em 8,5%. O setor bancário não tem cedido e desta vez coube ao BCP iniciar as negociações com uma proposta de aumento na casa dos 2,5%, já depois de outros bancos terem revisto até aos 4%. Estruturas consideram "inaceitável" e exigem uma maior subida.
Publicado a

Depois de os sindicatos bancários afetos à UGT pedirem ao setor uma atualização salarial de 8,5% para 2023, o BCP, à semelhança dos demais bancos, propôs um aumento de 2,5% para as tabelas remuneratórias e restantes cláusulas de expressão pecuniária, isto é, extras como prémios, diuturnidades, entre outros. O Mais, SBC e SBN já reagiram à contraproposta apresentada pela instituição liderada por Miguel Maya, considerando-a "inaceitável" e dizendo esperar que o banco reveja a proposta.

Num comunicado enviado às redações esta terça-feira, as estruturas sindicais referem que, no documento em questão, o BCP revela desde logo "a intenção atualizar as tabelas salariais e restantes cláusulas de expressão pecuniária em 2023", acrescentando que os sindicatos "poderão contar com o banco para, em conjunto, gizar uma solução que possa ir ao encontro dos interesses dos trabalhadores", advertindo, no entanto, "sempre respeitando os desafios e condicionalismos inerentes à situação do setor e especialmente do próprio BCP".

Em sentido contrário às reivindicações expressas pelos sindicatos já em novembro do ano passado, o banco antecipou um aumento de 2,5% no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para todos os níveis - "1, 2 3 ajustados ao valor do salário mínimo"; um incremento de 4,76% no subsídio de alimentação, para 11 euros; e uma subida de 2,5% para as cláusulas de expressão pecuniárias.

Segundo o Mais, SBC e SBN, os argumentos do banco para apresentar "um valor percentual tão baixo para os seus trabalhadores" vão do "clima de incerteza económica para este ano ao impedimento da regulação do setor em Portugal, que impede a cobrança de mais taxas, e dos resultados do banco na Polónia à evolução, embora positiva, da rentabilidade do Grupo em 2022 (ROE de 2,5%), um valor bastante abaixo da média nacional e europeia para o setor".

Também as "promoções desde 2017, as remunerações variáveis e o apoio extraordinário de 500 euros em 2022 para mitigar os efeitos da escalada da inflação" fazem parte da lista de justificações do BCP para não ir além dos 2,5% de aumento para este ano, indica a nota.

As organizações dizem aguardar o início das negociações formais para que o banco presidido por Miguel Maya possa evoluir na sua posição inicial, tal como já aconteceu com a restante banca: a Caixa Geral de Depósitos subiu a proposta para 3,5% e o Novo Banco, o BPI e o Santander propuseram 4% - subidas que, ainda assim, ficam "aquém das necessidades dos trabalhadores", defendem.

Os sindicatos da FEBASE afiançam ainda que "não vão tolerar o prolongamento artificial das negociações, como aconteceu em momentos anteriores", sublinhando que "os trabalhadores precisam de aumentar os seus rendimentos" com urgência.

O Dinheiro Vivo contactou o BCP para saber se depois do descontentamento gerado nas estruturas sindicais, o banco estará disposto a negociar uma maior subida nas tabelas salariais, mas, até ao momento de publicação, não obteve resposta.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt