Six Senses. Tailandeses devolveram a alma do Douro ao Aquapura

As melhores suites do novo hotel Six Senses Douro Valley chegam a custar mais de 500 euros por noite, mas não é pelo preço que esta unidade de luxo nascida das cinzas do antigo Aquapura quer afirmar-se. A biblioteca de vinhos do Douro com mais de 750 referências, os materiais utilizados na decoração 100% portugueses e até as fotografias da família Serpa Pimentel nas paredes da sala de jantar são os grandes trunfos para proporcionar aos hóspedes uma "experiência inesquecível", como definiu Neil Jackobs, presidente executivo (CEO) do grupo tailandês Six Senses.
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"O Aquapura Douro Valley, inaugurado em 2007, já tinha mercado. Mas com uma crise internacional prestes a rebentar e uma parte considerável do investimento a depender da vertente imobiliária, que nunca ficou concluída, não resistiu. Mas teve o mérito de criar o destino Douro. Agora são os segundos donos que vão beneficiar disso", reconhece Miguel Guedes de Sousa, diretor operacional do Fundo Discovery, que adquiriu em 2013 o passivo do projeto de Diogo Vaz Guedes e investiu oito milhões de euros, dos quais 4,5 milhões aportados pelo Fundo Revitalizar Norte, na renovação da unidade de cinco estrelas inaugurada sexta-feira na presença do ministro Pires de Lima.

Foi também Miguel Guedes de Sousa quem, "com muita persistência", convenceu os tailandeses da Six Senses a vir conhecer o Douro, apaixonar-se pelas paisagens e pelas pessoas e redesenhar todo o conceito do hotel com spa de luxo. A 11.ª unidade da marca é também o primeiro hotel da cadeia Six Senses na Europa.

"Os turistas procuram experiências autênticas e o Aquapura Douro Valley não lhes proporcionava isso", explicou Pedro Seabra, responsável do Fundo Discovery, criado em 2012 para investir em hotelaria e hoje com mais de 40 ativos em carteira, no valor de 700 milhões de euros. "Os tailandeses questionaram porque é que o hotel parecia asiático, porque quando os clientes querem um hotel asiático visitam a Ásia.

O novo projeto do Six Senses trouxe o Douro para dentro do hotel e está a começar a levar o Douro ao mundo", resumiu Pedro Seabra, declinando falar em metas de negócio que seriam "prematuras".

O hotel mudou a decoração e o posicionamento, mas manteve a maioria dos funcionários, hoje apelidados de "anfitriões". Eram 47, um número manifestamente insuficiente, mas hoje são 95 e terão mais 50 na estação alta. Servem sorridentes, cuidadosos e, evidentemente, orgulhosos.

O Six Senses já tinha reservas antes da abertura e está esgotado entre 15 de agosto e 15 de setembro - graças ao lançamento, naquele espaço de luxo, do novo BMW Classe 7 - o que dá "otimismo" ao diretor Nick Yarnell. Recrutado à cadeia Four Seasons, Yarnell ainda está "espantado como o Douro é tão pouco conhecido na Europa".

A contar com 60% de hóspedes provenientes de mercados tradicionais como Reino Unido, França, Espanha, Brasil e EUA, Nick Yarnell espera que a cadeia traga hóspedes da Ásia e que estes "aumentem a estada média na região para três noites". Para incentivar a vinda de 40% de nacionais, principalmente durante os fins de se- mana, os portugueses têm um "desconto de 25% sobre a tarifa, que começa em 240 euros na época baixa".

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