O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, assegurou nesta segunda-feira, 22 de novembro, que "não existe, neste momento, situações de carências de abastecimento ou ruturas de stock". A garantia do governante foi deixada em conferência de imprensa após o primeiro encontro do grupo de acompanhamento e avaliação das condições de abastecimento de bens nos setores agroalimentar e do retalho.
Na semana passada, o Governo criou este grupo de trabalho uma vez que têm existido perturbações nas cadeias de abastecimento, algo que tem feito subir os preços dos transportes e de matérias-primas. O ministro assegurou que este grupo, que vai reunir-se quinzenalmente, "permitir-nos-á antecipar qualquer dificuldade que possa surgir ao nível do abastecimento de bens aos consumidores e permitirá mitigar problemas que surjam ao nível de toda a cadeia de valor".
O grupo de trabalho é composto por 15 membros, incluindo representantes da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Associação dos Distribuidores de Produtos Alimentares (ADIPA), Associação Nacional de Armazenistas, Comerciantes e Importadores de Cereais e Oleaginosas (ACICO), Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP), Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) ou Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA).
Após o encontro, Pedro Siza Vieira assegurou que, na reunião foi confirmada a informação que o Governo já tinha: "não existe, neste momento, situações de carências de abastecimento ou ruturas de stock em qualquer aspeto da cadeia de valor". A pouco mais de um mês para o Natal, época tradicionalmente de elevado consumo, o governante assegurou também que "não se perspetivam situações de incumprimento nos próximos tempos. Está a ocorrer um aumento dos custos de produção, que grande parte dos produtores, transportadores e retalhistas estão a absorver, embora se possa verificar crescimento de alguns preços nos próximos tempos".
Questionado se os setores de atividade associados à alimentação podem ser, potencialmente, mais afetados, Siza Vieira sublinhou que "estamos a ver aumentos de custos em praticamente todos os elementos da cadeia de produção que são relevantes para os produtores agrícolas e depois para os exportadores. Estamos a ver um aumento dos custos de energia elétrica, de combustíveis, de gás, que tem impacto na indústria agroalimentar e nos transportes", tal como em outros setores.
"Neste momento, não estamos ainda a sentir um crescimento muito significativo de preços em Portugal. A inflação está bastante abaixo daquilo que é a Zona Euro, mas sabemos que, quando temos um aumento dos custos durante algum tempo, eventualmente pode repercutir-se no consumidor. Também não estamos a ver uma preocupação relativamente a um aumento significativo de custo mas temos de acompanhar a situação dos produtores que estão a absorver nas suas margens uma parte importante dos custos", acrescentou.
Siza Vieira concluiu reiterando que não só os produtores agrícolas e agroalimentares estão a ser afetados. Há "outros elementos da nossa indústria, não necessariamente alimentar", que também estão a ser afetados, como por exemplo a indústria automóvel, a braços com a crise dos chips.