O smartphone de um homem tem muito mais hipóteses de estar apinhado de aplicações, enquanto o smartphone de uma mulher terá uma lista de chamadas e SMS muito maior. É isto que conclui a investigação do Consumer Labs da Ericsson, que analisa regularmente os hábitos de consumo de tecnologias.
Embora a generalização seja sempre perigosa, a Ericsson explica que estes padrões de comportamento são bastante claros. A utilização do
smartphone fez disparar a frequência de utilização de vários
serviços ao longo de todo o dia, contrariando os picos associados ao
computador e telemóveis básicos.
O estudo "Smartphone: um
aparelho diferente para homens e mulheres" indica que o acesso à
internet deixou de ter tantos picos e intervalos. Os homens, diz o
estudo, têm mais probabilidade de experimentarem serviços como
mensagens instantâneas, GPS, aplicações, voz sobre IP. As
mulheres, por seu lado, são altamente dependentes de chamadas,
mensagens escritas e email. Nos computadores e portáteis, a
utilização intensiva é predominantemente masculina. Mas o mesmo
não se passa nos smartphones, em que o acesso à internet é grande
nos dois sexos.
Num dos gráficos mais
interessantes do relatório, nota-se uma grande diferença no acesso
a redes sociais - as mulheres têm mais do dobro da tendência para
ir ver o que se passa nas redes sociais antes de dormir, já na cama,
do que os homens.
Também se nota uma grande
disparidade na utilização de email: as mulheres usam muito mais
durante a manhã, antes de irem para o emprego, mas os homens
predominam antes de amoço e ao final da noite, antes de dormir.
E Portugal?
A conclusão do Consumer
Labs é de que "as mulheres têm aparelhos de comunicação. Os
homens têm gadgets". Apesar de o estudo se basear no comportamento
de utilizadores dos Estados Unidos e Reino Unido, a responsável da
Ericsson Portugal Dora Silva considera que as conclusões são
válidas para a Europa, em especial Portugal.
O último Consumer Labs
que incluiu consumidores portugueses foi feito em 2008, mas "há
estudos pontuais", revela. No mercado português, por exemplo, a
hora de ponta é o período do almoço e o final da tarde; mas na
Europa, o pico é durante as deslocações de transportes de casa
para o emprego e vice-versa.
Michael Born, o líder de
pesquisa do Consumer Lab, disse num evento em Estocolmo, em que o
Dinheiro Vivo esteve presente, que "50% dos
consumidores no sul da Europa vão ao Facebook quando ainda estão na
cama". Porquê? O smartphone passou a ser o despertador, e assim
que o desligam a primeira coisa que fazem é ver o que se passa no
mundo.
"É uma mudança de comportamento fundamental que terá
impacto durante os próximos anos", considerou Bjorn.