Só 29,6% dos consumidores portugueses fazem as compras para o lar online

Dos 36 mercados analisados, Portugal foi o país onde os consumidores mais reduziram as suas compras em 2022
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Depois de um pico durante a pandemia, o número de consumidores a fazerem as suas compras para o lar online regrediu este ano e aproxima-se já de valores de 2019. Os dados são de um estudo da Kantar para a Centromarca e mostram que só 29,6% dos portugueses recorrem ao e-commerce para as suas compras do supermercado, contra os 34,1% dos primeiros nove meses de 2020. Gastam, em média, 39,7 euros em cada compra.

Navigating e-commerce in inflationary times é o estudo mais recente da Kantar, que parte de inquéritos a agregados familiares em 36 países em quatro continentes para avaliar a evolução o comércio eletrónico, e que mostra que, depois de se assumir, antes e depois da covid, como o "canal de vendas mais dinâmico do mundo", o comércio eletrónico regrediu em 2022, pela primeira vez desde sempre. Depois de um crescimento de 45,9% em 2020 e de 15,8% em 2021, em termos globais, as vendas de bens de grande consumo online diminuíram este ano 0,4%.

E Portugal não é exceção: as vendas deste canal tinham atingido 3,4% do total de vendas entre janeiro e setembro de 2021, percentagem que caiu para 2,5% em igual período este ano. Só 0,4 pontos percentuais acima do valor no período homólogo de 2019.

Para a Kantar, a explicação reside no regresso dos consumidores às lojas físicas, e em especial dos maiores de 65 anos. Em todos os mercados europeus analisados no estudo, o comércio eletrónico manteve ou perdeu quota em relação a anos anteriores, sendo que o valor médio de cada compra também diminuiu.

O estudo analisa ainda os efeitos da subida da inflação nos gastos das famílias nos supermercados, on e offline, com os preços dos bens de grande consumo (os chamados FMCG) a subirem 1,8% entre junho de 2021 e o mesmo mês de 2022, em termos globais, levando a uma redução do volume de compras das famílias em 2,3% no mesmo período.

Dos 36 países analisados, Portugal é o que tem a maior quebra da quantidade comprada: são menos 9% do que em igual período de 2021. Segue-se a Argentina, com uma redução do consumo de 6,7%, Irlanda (6,2%), Grã-Bretanha (6,1%) e Espanha (5,9%). Mas há mercados em crescimento, como o Equador (com um aumento de 5,1% do volume), Taiwan (4,3%) e a China Continental (2,7%).

E são, sem surpresa, os consumidores com menores rendimentos aqueles que estão a fazer maiores alterações nas suas compras, com quebras que vão dos 6,1% dos franceses, aos 2,4% dos britânicos e aos 1,8% dos brasileiros. No Brasil, as classes mais altas estão até a comprar mais, com um aumento de 4,2%.

"Para Portugal, os dados de penetração da compra digital em FMCG mostram uma correção face à aceleração sentida na primeira fase da pandemia, mas ainda assim, num patamar superior ao que se verificava à entrada de 2020, com uma quota de mercado que ainda tem uma boa margem de progressão relativamente à que se verifica nos países europeus mais relevantes e com um valor médio por compra que pode ainda crescer significativamente nos próximos anos", explica, citada em comunicado, Marta Santos, responsável da direção de clientes e dados da Kantar em Portugal.

Já o diretor-geral da Centromarca destaca que, "depois da aceleração sentida pelo online nas compras de supermercado, nos períodos em que a pandemia nos obrigou a permanecer mais tempo em casa, é natural que o regresso à normalidade e a uma mobilidade sem limitações conduza a um ajustamento da curva de crescimento. Contudo, este é um segmento de mercado com um franco potencial de desenvolvimento". Pedro Pimentel sublinha que a crise inflacionista que atualmente atravessamos "ode conduzir a uma compra mais programática e o online, com preços e entregas com valores atrativos, pode ser um refúgio interessante para os consumidores mais cautelosos e mais atentos à gestão dos seus orçamentos familiares".

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