Melissa Mulholand aparece em passo apressado e divertida, de mão estendida e pedido de desculpas “porque não sabia que ia ser fotografada. Não sei se estou preparada”, atira com um sorriso. Na sede da SoftwareOne Portugal, em Lisboa, a Co-CEO da SoftwareOne Global está a terminar uma semana de trabalho junto das equipas da empresa no nosso país, antes de voltar aos EUA.
“Portugal tem sido um mercado importante para nós. É uma das razões pelas quais investimos aqui há 12 anos”, começa por dizer, lembrando que vem da Crayon, a tecnológica que a SoftwareOne adquiriu para, entretanto, criar a SoftwareOne Portugal. Estávamos em julho de 2025 e, uns meses depois, a responsável acredita já poder confirmar que a decisão foi positiva.
A empresa, especialista em soluções de Cloud, Inteligências Artificial e Cibersegurança, acredita que Portugal não tem apenas potencial mas também necessidade de serviços feitos à medida, sobretudo devido à configuração do tecido empresarial nacional, composto na sua larga maioria por Pequenas e Médias Empresas (PME).
“Há organizações já maduras na adoção de cloud e IA”, e outras que ainda estão a dar os primeiros passos, salienta a responsável. E é precisamente nessas que a empresa quer atuar.
“As pequenas empresas usam muitos ‘chapéus’, porque têm poucos recursos. A IA permite passar de insights para tarefas reais”, explica ao Dinheiro Vivo. O que as torna particularmente interessantes para a SoftwareOne Portugal, que acredita que pode ser uma verdadeira mais-valia para elas, numa altura em que ainda há muito receio associado à IA e, também, aos custos que ela acarreta -e que nem sempre é percecionado como investimento. Por isso mesmo, adianta, a prioridade é simplificar a adoção de ferramentas, de forma financeiramente acessível. Algo que também está a ser trabalhado com parceiros como a Microsoft, salienta.
“O nosso objetivo sempre foi ser o conselheiro de confiança dos clientes, ajudando-os a lidar com a complexidade do setor tecnológico”, sublinha Mulholand. “A jornada de IA não é simples. Para implementar IA numa empresa, é preciso ter os dados preparados, pensar em cibersegurança, formar colaboradores e ter governança” adequada, salienta. A SoftwareOne Portugal, ao defender uma abordagem de diagnóstico e aconselhamento personalizados, apoiada por equipas locais, acredita, por isso, poder fazer a diferença no mercado: “Os clientes portugueses vão comprar a colaboradores portugueses”.
É essa, também, a razão que a leva a antecipar a duplicação de colaboradores nos próximos três anos. “Devemos certamente duplicar de tamanho nos próximos três anos”, afirma, admitindo que aquisições também estão em cima da mesa, sobretudo em áreas como Google Cloud e AWS.
Melissa Mulholand destaca a capacidade técnica dos talentos nacionais, sobretudo na gestão de custos de TI, licenciamento e cloud, e lembra que o país desde cedo se posicionou na dianteira do desenvolvimento, sobretudo na área de Cloud. “Queremos encontrar talento onde ele existir e dar oportunidades. Já promovemos pessoas em Portugal para posições globais, e isso deixa-nos muito orgulhosos”, adianta ainda.
Mulholand considera ainda que que Portugal é não apenas competitivo, mas também um país com uma localização privilegiada para a globalização. A SoftwareOne considera a nossa geografia um hub internacional e tem colaboradores portugueses em funções globais. “Portugal é um mercado que deve ser priorizado. Está muito bem posicionado”, afirma, lembrando que a SoftwareOne tem operações relevantes no Brasil, México, Colômbia e vários países asiáticos.
“Queremos crescer. Estamos aqui para ficar e orgulhosos por fazer parte da comunidade”, conclui a Co-CEO, antes de sair, de novo apressada, para mais uma reunião com colaboradores nacionais.