A Sogevinus, empresa que detém marcas históricas como a Kopke, Burmester, Barros ou Calém, fechou 2022 com a melhor faturação de sempre, na ordem dos 45 milhões de euros. O crescimento foi suportado essencialmente pelas categorias premium, mas 2023 é encarado como um "ano difícil", atendendo ao quadro de incerteza dos mercados e à esperada retração do consumo, atendendo aos efeitos da inflação. De qualquer forma, a companhia detida pelo grupo Abanca acaba de aprovar o novo plano estratégico a cinco anos, que prevê um crescimento de 50% ao ano até 2027, altura em que terá ultrapassado os 67 milhões.
Os objetivos são "ambiciosos", admite Pedro Braga, e serão suportados numa "forte aposta" na área do turismo, com a abertura, no primeiro semestre do próximo ano, do hotel vínico de 5 estrelas da Kopke, na zona reibirinha de Vila Nova de Gaia. Mas não só. O vinho, e em especial o do Porto, "continua a ser o core" da Sogevinus, e a intenção é aproveitar as marcas históricas que detém para continuar a apostar no crescimento das categorias especiais. "É aí que achamos que está o nosso potencial de crescimento", sublinha o responsável.
Outro dos pilares estratégicos será nos vinhos tranquilos. "Com a aquisição da Quinta da Boavista há, também aqui, um potencial de crescimento nos fine wines de DOC Douro", garante, sublinhando que a previsão é de taxas de crescimento acima dos dois dígitos tanto em Portugal como nos mercados externos nesta categoria.
Mercado nacional reforçado
Presente em cerca de 60 mercados, a Sogevinus tem na Holanda, Dinamarca e França os seus principais destinos, sendo que as exportações valem 45% da faturação. Um peso um bocadinho menor do que era em 2019, quando os mercados externos valiam 52%. Em contrapartida, o mercado nacional, que antes da pandemia valia 15% das vendas, está hoje a assegurar 25%.
Os restantes 30% advêm do negócio do enoturismo. Só em 2022, os vários espaços da Sogevinus - três lojas nas caves Kopke, Burmester e Calém, mas outras tantas em Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, na Rua das Flores, no Porto, e na Quinta de São Luiz, no Douro - foram visitados por meio milhão de pessoas.
Destes, 295 mil foram às caves Calém. "Somos seguramente das caves mais visitadas do mundo e inequivocamente a mais visitada de vinho do Porto", sublinha, orgulhoso, Pedro Braga. A abertura, em agosto do ano passado, do The Vine House, na Quinta de São Luiz, cuja casa de família foi recuperada e transformada numa guest house com 11 quartos, ajudou ao desenvolvimento deste segmento de negócio.
Provas e experiências no Douro
E a aposta é no reforço do enoturismo no Douro, já este ano, com "pequenas experiências", de almoços e jantares vínicos, bem como visitas e provas premium, na Quinta da Boavista, situada em Tabuaço. Isto enquanto a empresa se prepara para reabilitar algum do edificado da propriedade, construindo villas pensadas para estadias mais longas do que o simples fim de semana. O projeto de arquitetura está a ser terminado, para submissão às aprovações necessárias, sendo que o o objetivo é arancar com este investimento, calculado em três a quatro milhões de euros, "no início do próximo ano".
Também em 2024 entrará em funcionamento o 5 estrelas em Vila Nova de Gaia, um hotel de 150 quartos que está a nascer nas antigas instalações da Burmester, cuja inauguração estava prevista, inicialmente, para 2021, mas que acabou adiado por causa da pandemia e pelas "inúmeras paragens" a que os achados arqueológicos obrigaram. Um atraso que acabou por se refletir nos custos, obrigando a uma "revisão e otimização" do projeto. Em vez dos 30 milhões inicialmente previstos, o hotel deverá custar 36 a 40 milhões.
O aumento dos custos das matérias-primas foi também um problema no negócio dos vinhos em 2022 e mantém-se este ano. "Obrigou-
nos a repensar a nossa forma de planeamento e a sermos um bocadinhos mais cautelosos, aumentando os nossos stocks de materiais secos, mas sobretudo dando maior previsibilidade sobre as nossas necessidades a um ano aos nossos fornecedores, nomeadamente de garrafas", explica Pedro Braga.
Expansão em estudo
Com quatro quintas e 125 hectares de vinha no Douro, a Sogevinus tem vindo a investir na reabilitação e melhoria das suas propriedades, tendo em vista assegurar uva de qualidade para os seus vinhos. A produção própria representa, apenas, 20% das suas necessidades. A empresa diz-se "bastante confortável" com a sua carteira de viticultores, com os quais mantém uma relação de "grande proximidade", no entanto, Pedro Braga admite que o Douro "atravessa algumas dificuldades", pelo que a Sogevinus está preparada para equacionar investimentos em mais vinha para aumentar a sua produção própria.
A possibilidade de investir numa nova região vitivinícola também não está posta de parte. "Se surgir uma oportunidade, com certeza que a aproveitaremos", diz.