Com 1600 hectares de vinha distribuídos por 12 regiões vitivinícolas em 10 países distintos, da Europa à América do Sul e à Oceânia, o grupo Sogrape lançou um programa global de sustentabilidade que pretende unir todas as iniciativas que está a desenvolver nas diversas unidades de negócio do grupo no mundo. Seed the future foi a designação escolhida para um programa que "reforça o compromisso da empresa com um futuro mais responsável, mais inclusivo e qualificado". E que pretende atrair outros parceiros, desde acionistas a fornecedores e consumidores, a "embarcarem nesta viagem" de criação de valor em toda a cadeia.
"É a primeira vez que a Sogrape, como grupo, une esforços para atingirmos em conjunto os mesmos objetivos, e assim gerarmos mais impacto. Proteger, respeitar e preservar os lugares onde estamos é uma preocupação que existe desde sempre na Sogrape, mas, para sermos sustentáveis, precisamos que os nossos parceiros também o sejam e, como líder do setor, temos que conseguir trazer os outros para este caminho", diz Mafalda Guedes, a quarta geração da família e que é responsável de Corporate Brand & Communications da Sogrape, com o pelouro da Sustentabilidade.
Com três eixos de atuação - planeta, herança e pessoas -, o Seed The Future compromete-se a "abrir caminho para um planeta mais saudável, a salvarguardar o legado da Sogrape na sua jornada rumo ao futuro e a inspirar vidas mais felizes e responsáveis". Será implementado nas próximas duas décadas, ou seja, até 2042, ano em que a Sogrape comemora o 100.ººaniversário. A sua implementação está dividida em três fases, de sete anos cada, sendo que a primeira arrancou em 2021 e terminará em 2027.
E é para esta primeira fase que foram estabelecidas 11 metas, entre as quais destaque para o objetivo de "alcançar um impacto ambiental neutro" já em 2027, através de uma redução em 50% das emissões de carbono, da criação de estruturas de captura de carbono nos solos e do recurso a fontes de eletricidade renovável em todas as suas operações a nível global.
Refira-se que 16% da energia da Sogrape é já produzida localmente, através de painéis fotovoltaicos instalados na sede, em Avintes, na adega em Anadia e na Finca Flichman, a sua produtora de vinhos na Argentina. As centrais fotovoltaicas já existentes permitem à Sogrape evitar 600 toneladas de emissões de CO2 ao ano, mas a intenção, garante Mafalda Guedes, é continuar a investir nesta área noutras instalações do grupo e, eventualmente, ainda reforçar a central fotovoltaica de Avintes.
A conservação da natureza e da biodiversidade, com o desenvolvimento de projetos nesta área nas várias unidades de negócio, e o envolvimento dos parceiros estratégicos da Sogrape nas melhores práticas de sustentabilidade e economia circular são outras das metas definidas.
No que à preservação do legado diz respeito, a Sogrape pretende ajudar a acelerar a transferência de tecnologia e de conhecimento no setor. Uma questão fulcral numa empresa que afeta anualmente um milhão de euros à área de investigação e desenvolvimento e que está, neste momento, envolvida em 30 projetos distintos com 170 organizações. Questões como a redução do uso de cobre nas vinhas, a mitigação das emissões de CO2 ou os programas para a poupança de água nas vinhas são áreas privilegiadas de estudo.
"Precisamos de garantir que no futuro vai ser possível continuar a produzir vinho. Sabemos que as alterações climáticas podem causar danos, que cada vez mais há pessoas a abandonarem as zonas rurais, e, portanto, temos que trabalhar neste pilar. O compromisso que temos é ajudar os nossos viticultores a serem mais sustentáveis do ponto vista ambientalm mas também económico. Temos que garantir que eles têm viabilidade económica para manterem o seu negócio e a partilha de conhecimento e informação é vital para isso", garante a responsável.
Além disso, a Sogrape propõe-se criar um índice ou um ranking de sustentabilidade para os seus vinhos, de modo a aferir em que ponto estão e assegurar que todos eles terão uma melhoria no seu perfil ambiental e social até 2027. Um trabalho que vai agora ser iniciado, mas o objetivo é que, criado que esteja este índice, venha a ser partilhado, nomeadamente com os consumidores.
Por fim, no plano social, quer promover uma sociedade mais inclusiva, transparente e com mais educação, pretendendo "contribuir ativamente para o empoderamento de 100 mulheres em cada ano". Vai ainda criar um programa de benefícios Sograpiness (uma junção de Sogrape com hapiness, que significa felicidade), que promova o bem-estar físico e emocional dos seus trabalhadores, e quer fazer chegar as suas mensagens de moderação no consumo de álcool a um milhão de pessoas.
Sem dados ainda de 2022, a Sogrape é a maior empresa de vinhos nacional, que teve em 2021 o seu "melhor ano de sempre", com vendas de 309,9 milhões de euros.