A guerra contra um inimigo tão letal e microscópico que Portugal, enquanto país aberto ao mundo global está a viver, evidencia de forma muito clara dois graves problemas de fundo:
1. A frágil estrutura pública de resposta a agressões de natureza global (temos assistido à forma, científica, orgânica e tecnologicamente despreparada como o país responde às regulares agressões dos incêndios, e agora uma vez mais assistimos à impreparação do sistema para lidar com situações de emergência e catástrofe);
2. Aquele que me parece ser a causa primeira para a fragilidade do sistema publico – a fraquíssima qualidade dos governantes.
Tivemos todas as oportunidades de dar uma lição de rapidez e eficácia na gestão desta agressão pandémica global. Os casos a leste da nossa longitude foram suficientemente elucidativos para evitar cometer os erros que por descontração, incapacidade de decisão e laxismo foram cometidos. Em vez de assumir a guerra e avançar com medidas de guerra, o governo de Portugal preferiu, como é seu hábito, uma atitude paternalista de calma e descontração como se de uma aparente banalidade se tratasse. Evidentemente que na antecâmara a base da indecisão e atraso na tomada de medidas se prendia essencialmente com quem paga a conta para que os portugueses possam ficar em casa. Ficar em casa é evidentemente a única forma de garantir um combate rápido e eficaz nesta guerra – os casos da China e Itália foram suficientemente elucidativos para que duvidas não restassem.
Atrasámos cerca de 2 semanas a preparação e reação a este ataque amplamente anunciado. Perdemos a oportunidade de mostrar ao mundo que os portugueses são capazes de feitos extraordinários – para isso precisariam de líderes fortes e convictos. Em vez disso mostrámos a forma descontraída e por vezes ridícula como, por falta de comunicação, planeamento, o povo português se foi adaptando.
O modelo de comunicação descontraído e excessivamente hesitante fez com que a maioria do povo português demorasse muito tempo a entender a gravidade da situação. Passado este tempo todo, estão ainda por tomar várias medidas essenciais para que os portugueses possam ficar em casa por um período que não sabemos ainda qual efetivamente terá de ser. Faltam generais (por incrível que pareça o governo continua a atuar como se as forças armadas não existissem e não tivessem um papel híper importante na gestão de toda esta situação de guerra) e faltam estadistas com E grande; temos muitos soldadinhos de chumbo a tomar decisões. Os heróis de uma guerra sem estratégia são, como sempre têm sido nas últimas catástrofes, e sempre no limite das suas capacidades, os grandes profissionais da saúde, os bombeiros e as forças de segurança. Os portugueses são uns heróis sem “rei”.
Aqui ficam algumas medidas de guerra que me parecem absolutamente obrigatórias, com particular destaque para os meios urbanos, para travar a cadeia de contágio:
São medidas cujo impacto económico é, evidentemente, enorme, mas que constituem a única forma de ganhar esta guerra o quanto antes. Quanto mais duradoura esta guerra for, maior será certamente o prejuízo de longo prazo para a economia portuguesa que uma vez mais e em face de uma ameaça externa mostrou a sua enorme debilidade.
Eduardo Baptista Correia é CEO Taguspark e professor da Escola de Gestão do ISCTE