"O início de 2022 foi muito bom para a Sonae." Assim abre a apreciação de Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, para descrever o desempenho do grupo no primeiro trimestre deste ano. Com os negócios a apontarem para o sucesso nos seus respetivos mercados, a multinacional aumentou os seus níveis de rentabilidade, tendo valorizado o seu portefólio para 4,1 mil milhões de euros até ao final de março, aumentando 65 milhões face a dezembro de 2021.
O comunicado sobre os resultados trimestrais agora publicado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) dá conta de que o volume de negócios consolidado do grupo cresceu 5,1% em termos homólogos, para 1,7 mil milhões de euros, tendo alcançado um valor recorde. Este foi "o melhor primeiro trimestre de vendas da Sonae", sobre o qual se atribui destaque o desempenho da MC e da Zeitreel, pode ler-se.
A nível da rentabilidade, o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subjacente melhorou 9,7% em relação ao mesmo período temporal no ano passado, para 121 milhões de euros. O desempenho operacional positivo aliado à recuperação dos negócios levaram a que o EBITDA consolidado crescesse 17,2% para 149 milhões, apesar da despesa adicional de 20 milhões inerentes ao aumento dos custos de energia.
O resultado líquido atribuível a acionistas totalizou 42 milhões de euros, tendo sido distribuído um dividendo de 5,11 cêntimos por ação. Segundo o grupo, esta é uma melhoria significativa (de mais 5% em termos homólogos) que se deve ao "forte desempenho operacional e à atividade de gestão do portefólio".
Quanto à dívida líquida da multinacional, esta beneficiou de uma redução de quase 600 milhões de euros, graças aos 627 milhões de free cash flow (antes do pagamento de dividendos) atingidos nos últimos 12 meses, fixando-se no final de março deste ano em 931 milhões de euros. Segundo o comunicado, a Sonae melhorou o perfil de maturidade da dívida para quase 5 anos e "atingiu 65% de linhas de financiamento de longo prazo associadas ao desempenho sustentável, verde ou ESG.
Nos últimos 12 meses, o investimento realizado pelo grupo ascendeu a 516 milhões de euros, com 110 milhões a corresponderem a aquisições feitas no primeiro trimestre de 2022, tendo sido, de acordo com a Sonae, o movimento de gestão de portefólio mais relevante a aquisição da participação de 10% na Sierra, por 83,5 milhões de euros. Com este reforço, a multinacional passou a deter 90% da companhia. Também o facto de a Bright Pixel ter vendido as suas participações na SafetyPay e ciValue, com retorno de cerca de 40 milhões de euros, fez com que o grupo criasse valor.
Ao nível das metas sociais, a Sonae mobilizou os seus recursos para apoiar os mais afetados pelo conflito na Ucrânia, através da iniciativa "Sonae For Ukraine", que contempla três eixos de atuação principais: chegada, acolhimento e emprego. Quanto aos objetivos ambientais, no primeiro trimestre deste ano a Sonae integrou o projeto europeu PROBONO, que prevê um investimento de 25 milhões de euros em laboratórios de sustentabilidade.
Quanto à análise operacional e financeira dos negócios, de janeiro a março de 2022, a MC cresceu 3,8%, continuando a ganhar quota de mercado, com vendas próximas dos 1,3 mil milhões de euros; a Worten manteve a liderança, tendo registado vendas de 261 milhões; a Sonae Sierra triplicou o lucro para 10 milhões de euros e valorizou os ativos em 5,1% para 972 milhões; a Zeitreel cresceu 57% e regressou a níveis pré-pandemia, com rentabilidade positiva; o Universo aumentou a produção em 23%, conquistando 96 mil novos clientes em termos homólogos; a Bright Pixel capitalizou investimento em tecnologia e realizou novos investimentos; a NOS liderou no 5G e cresceu 11%; e o ISRG cresceu 66% e reforçou presença no online.
Estes resultados, segundo Cláudia Azevedo, citada em comunicado, "foram conseguidos num contexto muito desafiante, marcado pela invasão russa à Ucrânia".
"Relativamente ao futuro, continuaremos focados em servir os nossos clientes em todos os mercados e em preparar o nosso portefólio de investimentos para o futuro. Independentemente da evolução da economia global e dos mercados financeiros, com o nosso grupo de negócios, a nossa sólida situação financeira e a competência das nossas equipas, estamos bem posicionados para atravessar este ciclo de incerteza, continuar a reforçar as nossas posições competitivas e aproveitar oportunidades que se nos apresentem", conclui a CEO.