Aos 17 anos, Samuel Ramalheira está
prestes a entrar na Universidade e o ensino alemão, que ainda
frequenta em Portugal, será a catapulta que precisa para que o curso
de arquitectura seja tirado na Suíça, país natal da mãe.
Na Deutsche Schule Lissabon (DSL) desde
os 10 anos de idade, Samuel admite que "é um percurso difícil
porque temos de estudar bastante", mas sabe que neste momento é lá
dentro tão bom aluno quanto um colega de nacionalidade germânica.
O nível de alemão que apresenta
agora? "É bastante elevado", diz, lembrando com orgulho o teste
de alemão de 17 valores, que recebeu na quinta-feira. É que "no
10º ano, os alunos portugueses e alemães juntam-se e as aulas
passam a ser dadas em alemão. Eu sou português mas as minhas notas
são tão boas ou melhores que as dos alunos alemães".
Mas a escola não é apenas para quem
tem raízes no país de Merkel e é cada vez mais procurada por
alunos portugueses, como uma aposta no futuro. "Tenho muitos
colegas cujos pais não têm nacionalidade alemã e que estudam aqui.
Tem muito a ver com as oportunidades que este ensino proporciona e
tem a ver com a situação do país que, no meu caso, me deverá
levar a emigrar", admite.
Samuel lembra, todavia, que as propinas
trimestrais de cerca de 1780 euros (dados do primeiro trimestre de
2011/2012) são elevadas para certas famílias. "Sei que há um
esforço financeiro por parte de certos pais, mas no futuro acaba por
recompensar pelas portas que abre", admitiu ao Dinheiro Vivo.
Aos 17 anos, Samuel já estagiou numa
empresa de arquitectura portuguesa e numa suíça, "falei durante
duas semanas em alemão, mas não foi difícil", o futuro, diz,
passa pelo país da mãe, onde tem casa, família e novas
oportunidades. "Estou apto tanto pelas notas a alemão como pelas
notas das outras disciplinas", que também são dadas na língua de
Angela Merkel, como explica.