Em 2012, durante a crise económica, nasce em Madrid, Espanha, uma iniciativa para impulsionar a economia através da inovação e do empreendedorismo. Trata-se da South Summit Madrid, um evento anual organizado pela Spain Startups que serve de "montra global para as empresas líderes mundiais, startups, empreendedores, investidores e instituições que querem acelerar a inovação, construir relações duradouras, identificar oportunidades e gerar negócios", explica María Menjumea, fundadora e chairman da iniciativa, em entrevista ao Dinheiro Vivo.
É já nos próximos dias 8, 9 e 10 de junho que acontece este encontro, que conta com o apoio da Universidade IE, enquanto coorganizadora, e com parceiros globais como o BBVA, Astrazeneca, Endesa, Wayra, Google for Startups, Sabadell BStartup e Mutua Madrileña. Para a décima edição, a South Summit presta especial atenção ao talento luso, esperando captar "mais empresas à procura de inovação, bem como empreendedores portugueses que estejam a criar soluções verdadeiramente disruptivas e inovadoras", avança a responsável.
O objetivo passa por "enriquecer a rede de contactos construída e apoiá-las [às empresas] no seu contacto com potenciais investidores, parceiros ou clientes". Não descurando os laços culturais e económicos que unem os territórios vizinhos, a fundadora destaca que "Portugal é um país que está cada vez mais empenhado na inovação".
"O nosso compromisso com Portugal é claramente visível no nosso trabalho com as melhores aceleradoras do país para garantir que atraímos o melhor talento, tal como a Beta-i. Este ano, estamos também a colaborar com associações como a Startup Portugal e a Aicep Portugal, que irão trazer dez startups, bem como fundos de capital de risco como a Armilar Venture Partners, Indico Capital, Semapa Next e Shilling", revela María Menjumea.
Este ano, o programa da South Summit Madrid tem como mote "[Des]codificação da Complexidade" e irá centrar-se em temáticas "com grande influência no ecossistema empreendedor e inovador a nível global", das quais fazem parte a sustentabilidade, inovação em fintech, saúde, economia responsável, indústria 5.0 e como trabalhar em ambientes descentralizados.
"É necessário trazer os grandes avanços da tecnologia e compreender o que nos rodeia", observa a fundadora, acrescentando que falar desta conjuntura é imperativo: "queremos descodificar toda esta complexidade para torná-la mais acessível a todo o ecossistema e estendê-la a todos os cidadãos, para que qualquer pessoa que queira promover uma ideia disruptiva para uma empresa tenha uma maneira mais fácil [de o fazer]". A partilhar os seus conhecimentos e experiências no congresso, estarão cerca de 600 oradores líderes mundiais.
O evento contará com 100 finalistas do "Concurso Startup", selecionados entre três mil candidaturas de 114 países, tendo por base critérios como inovação, viabilidade, escalabilidade, sustentabilidade, equipa, bem como no interesse de potenciais investidores. Entre os indicados, encontra-se a Eva, uma startup portuguesa que constrói estações de carregamento de drones de alto desempenho para melhorar a logística nos cuidados de saúde ou ajuda humanitária.
Segundo a chairman da iniciativa, "ser uma startup na South Summit é sinónimo de ter acesso aos principais atores do ecossistema, de uma grande visibilidade e da possibilidade de verdadeiras oportunidades de negócio". Como tal, a iniciativa de empreendedorismo promete uma carteira de 180 mil milhões de dólares entre os 200 fundos de investimento - dos quais 75% são internacionais - e os investidores privados presentes. Não só haverá "investidores em busca de oportunidades", como também "empresas à procura de inovação, que veem nestas startups um potencial para a sua evolução", acrescenta a responsável.
Com a missão de captar talento além-fronteiras europeias, em maio, a South Summit atravessou o Atlântico em direção ao Brasil. Foi em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde se deu este primeiro encontro. O feedback da organização é positivo: contou com mais de 20 mil participantes de 50 países, e mais de 500 investidores e 80 fundos de investimento, com uma carteira de 65 mil milhões de dólares.
Quanto às expectativas para a edição de Madrid, são também "muito elevadas", adianta María Menjumea. "Esperamos gerar uma atividade económica de cerca de 20 milhões de euros na cidade de Madrid e acolher mais de 22 mil participantes no recinto da La Nave. Além disso, o nosso espaço habitual em La Nave é demasiado pequeno para nós e queremos dar o salto e trazer inovação a todas as ruas de Madrid, ao público em geral, através de uma nova iniciativa, "La Noche de las Ideas" (Noite das Ideias)".
Com Espanha no quarto lugar europeu dos países com mais startups, com um ecossistema composto por mais de 6400 investidores privados, mais de 300 grupos de investimento, 150 aceleradores e uma centena de incubadoras, de acordo com os dados da Spain Startups, "dez anos depois [da primeira edição do evento], podemos dizer que contribuímos para a construção de um ecossistema sólido, tornando-se o ponto de encontro mais valioso para o empreendedorismo e a inovação a nível global", conclui María Benjumea, sobre a South Summit Madrid.