S&P melhora outlook de Portugal, mas mantém rating no lixo

A agência de notação financeira Standard & Poors (S&P) manteve a classificação em "BB" da dívida portuguesa. Ainda assim, melhorou a perspetiva de "estável" para "positiva" sobre Portugal, segundo o comunicado conhecido esta sexta-feira, 20 de março.
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Com a nota desta sexta-feira, a S&P continua a ser a entidade que atribui a pior classificação a Portugal: dois níveis abaixo do patamar considerado como recomendável junto dos mercados. A subida de perspetiva antecipa que numa próxima revisão a S&P poderá melhorar o rating atribuído a Portugal.

A S&P refere que "embora subsistam fortes vulnerabilidades exteriores, o aumento da procura interna e externa, ao mesmo tempo que se verifica uma subida da inflação, deverão ajudar ao processo de consolidação orçamental" do país, refere o documento. A agência aponta mesmo para uma redução da dívida pública para 113% sobre o produto interno bruto (PIB) em 2018, o que compara com os "118% verificados em 2014.

A "melhoria da perspetivas de crescimento do PIB, combinadas com uma redução do défice e uma maior desalavancagem de dívida do sector privado" poderão levar a uma melhoria do rating de Portugal "nos próximos 12 meses", acrescenta.

Mais crescimento

"Acreditamos que o PIB médio de Portugal cresça, em média, cerca de 1,8% em 2015 e 2016", prevê a entidade. O que reflete uma melhoria de 0,2 pontos percentuais sobre a previsão apresentada em novembro de 2014. A "melhoria da procura interna, o impacto positivo da recuperação da economia na Zona Euro, além da descida significativa do preço do petróleo e da desvalorização da moeda única" deverão sustentar as exportações em 2015, na ótica da S&P.

Por outro lado, a agência alerta para o enfraquecimento das exportações "junto dos parceiros não-europeus, como Angola", nomeia.

Alerta no emprego

A agência alerta que o Governo não conseguiu completar as reformas na área do emprego. "Em Portugal, o mercado de trabalho continua mais regulado face aos seus homólogos, com a recuperação da contratação coletiva", diz.

A subida do salário mínimo também é alvo de críticas: "poderá condicionar a criação de emprego" nos postos que requerem menores qualificações, o que pode ter um "impacto fiscal negativo", nota. As medidas poderão "pesar no investimento em Portugal", em detrimento do crescimento.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h46)

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