Com a nota desta sexta-feira, a S&P continua a ser a entidade que atribui a pior classificação a Portugal: dois níveis abaixo do patamar considerado como recomendável junto dos mercados. A subida de perspetiva antecipa que numa próxima revisão a S&P poderá melhorar o rating atribuído a Portugal.
A S&P refere que "embora subsistam fortes vulnerabilidades exteriores, o aumento da procura interna e externa, ao mesmo tempo que se verifica uma subida da inflação, deverão ajudar ao processo de consolidação orçamental" do país, refere o documento. A agência aponta mesmo para uma redução da dívida pública para 113% sobre o produto interno bruto (PIB) em 2018, o que compara com os "118% verificados em 2014.
A "melhoria da perspetivas de crescimento do PIB, combinadas com uma redução do défice e uma maior desalavancagem de dívida do sector privado" poderão levar a uma melhoria do rating de Portugal "nos próximos 12 meses", acrescenta.
Mais crescimento
"Acreditamos que o PIB médio de Portugal cresça, em média, cerca de 1,8% em 2015 e 2016", prevê a entidade. O que reflete uma melhoria de 0,2 pontos percentuais sobre a previsão apresentada em novembro de 2014. A "melhoria da procura interna, o impacto positivo da recuperação da economia na Zona Euro, além da descida significativa do preço do petróleo e da desvalorização da moeda única" deverão sustentar as exportações em 2015, na ótica da S&P.
Por outro lado, a agência alerta para o enfraquecimento das exportações "junto dos parceiros não-europeus, como Angola", nomeia.
Alerta no emprego
A agência alerta que o Governo não conseguiu completar as reformas na área do emprego. "Em Portugal, o mercado de trabalho continua mais regulado face aos seus homólogos, com a recuperação da contratação coletiva", diz.
A subida do salário mínimo também é alvo de críticas: "poderá condicionar a criação de emprego" nos postos que requerem menores qualificações, o que pode ter um "impacto fiscal negativo", nota. As medidas poderão "pesar no investimento em Portugal", em detrimento do crescimento.
(Notícia atualizada pela última vez às 17h46)