A portuguesa Eptune Engineering, uma startup incubada na UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto -, desenvolveu uma tecnologia para limpeza de lixo espacial, que vai permitir recolher satélites após fim de missão na órbita terrestre.
Trata-se de uma solução insuflável que utiliza um dispositivo semelhante a um paraquedas espacial, que se diferencia por se tornar rígido após o enchimento e reduzir a utilização de combustível na manobra de reentrada em órbita. Utilizando a atmosfera rarefeita como fonte de atrito, o insuflável consegue retirar os satélites em fim de vida entre cinco e dez vezes mais rápido.
Atualmente, o projeto centra-se no desenvolvimento das bases tecnológicas do produto, designadamente da estrutura insuflável que suporta as cargas aerodinâmicas, do escudo térmico que protege o dispositivo das altas temperaturas a que será sujeito durante as manobras, aos processos de fabrico e aos testes de materiais e compenentes.
Foram ainda precisas atividades complementares de análise orbital, que foram efetuadas em conjunto com o Instituto Superior Técnico, assim como testar vários protótipos e componentes, ação levada a cabo pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), que assumiu o desafio permitindo validar propriedades materiais e processos de fabrico.
Adicionalmente, o fundador e CEO da Eptune Engineering, João Pedro Loureiro, acredita ainda que a nova solução terá potencial para um possível uso na "entrada em órbita de planetas como Marte sem consumir qualquer combustível".
A solução da startup lusa pretende dar resposta ao exponencial crescimento de satélites lançados, contribuindo também para a missiva norte-americana que impõe um limite para a remoção de satélites até cinco anos depois do fim da sua missão.
Em breve, também a Agência Espacial Europeia (ESA) deverá assumir a mesma missão, pelo que a Eptune Engineering já se está a posicionar para o futuro, ambicionando que a nova solução passe a ser implementada em todos os satélites lançados. "Pretendemos que esta tecnologia esteja integrada nos novos satélites, mas a médio-prazo a nossa solução poderá ser transportada para o espaço e aí acoplada aos satélites em fim de vida que queremos trazer de volta à Terra", explica o CEO.
De referir que o número de satélites lançados para a órbita terrestre tem aumentado exponencialmente nos últimos anos, sendo já oito mil entre ativos e não-ativos, 25% dos quais lançados só no ano de 2022.
O projeto que visa contribuir para um espaço mais limpo foi cofinanciado em 212 mil euros pelo Programa Operacional Regional do Norte (NORTE 2020), através do Portugal 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).