Stox Club. Neste bar vai querer acompanhar o sobe-e-desce das cotações

Ricardo Graça Moura, Tiago Pinto Leite e Ricardo Campos Costa trouxeram o espírito de Wall Street para a Baixa do Porto.
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É daqueles que não quer saber do sobe-e-desce dos mercados? Pois no Stox Club as cotações das bebidas são para ser acompanhadas ao minuto, já que o preço varia em função da procura. Mas ao contrário da bolsa, em que o aumento da procura dita o disparar das cotações, no mais recente ponto de encontro das noites portuenses, quanto mais uma bebida é consumida, mais o seu preço desce.

A ideia partiu de Ricardo Graça Moura, que há vários anos pensava em aplicar o conceito da Wall Street a um bar. O Stox Club está em funcionamento há mês e meio e o sucesso parece garantido. Até já há propostas para replicar o modelo noutras cidades, como Marbella.

Licenciado em Direito, Ricardo Graça Moura rapidamente percebeu que o seu futuro passava pelo mundo dos negócios. À licenciatura seguiu-se uma pós-graduação em Gestão, na Universidade Católica, e foi aí que a Sonae o descobriu e o foi buscar. Esteve cinco anos no grupo, em que chegou a ser diretor de Marketing e Vendas da Sonae Turismo. Depois mudou-se para a África do Sul, onde ficou um ano. Regressou para assumir a direção-geral de uma multinacional sul-africana em Portugal e, finalmente, acaba por se dedicar aos negócios em nome próprio.

Convidado por um amigo a encontrar um investidor para um restaurante, Ricardo Graça Moura acabou por se apaixonar pelo edifício neoárabe situado em plena Baixa do Porto e decidiu ele próprio investir no espaço. Assim nascia, há quase dois anos, o Flow Restaurante & Bar na Rua da Conceição, no coração da vida noturna do Porto.

Consolidado esse negócio, Ricardo Graça Moura achou que era tempo de passar à realidade o seu conceito de bar com bolsa de valores associada. “A ideia foi criar um conceito diferenciador, porque não queríamos ser mais um bar na Baixa. E achamos que a temática da bolsa, e da subida e descida das cotações, seria entusiasmante”, explica o empresário. O software foi encomendado à Seara.com e, tal como a marca, foi já devidamente patenteado.

Ricardo Campos Costa, proprietário da loja no Passeio dos Clérigos onde foi instalado o bar, e Tiago Pinto Leite, empresário experiente, ligado a espaços emblemáticos da noite portuense, como o Twins, o Voice ou o Chic, são os parceiros de negócio de Graça Moura. Ou os “corretores” responsáveis pela bolsa do Stox Club. Tiago Pinto Leite assume a gestão operacional do espaço, dada a sua experiência no ramo. “Vou acompanhando, mas as decisões estratégicas, a tática é definida pelo meu sócio”, reconhece Graça Moura.

Como funciona, então, o sistema de cotações no bar? São oito as famílias de bebidas, cujos preços mínimos e máximos estão devidamente estabelecidos. Ou seja, os destilados, como o gin, rum, vodka ou whisky, podem ir dos oito aos 4,5 euros, a cerveja pode descer dos 3 aos 1,5 euros e um cocktail pode variar entre os nove e os seis euros.

Os preços podem ser acompanhados no placard das cotações por cima dos bares, permitindo aos clientes acompanhar as subidas e descidas que se verificam a cada 10 minutos. Sempre em função da procura. Quando uma bebida atinge a sua cotação mais baixa, permanece 10 minutos e regressa ao máximo, para percorrer o mesmo caminho.

E aos que perguntam se a ferramenta desenvolvida pretende maximizar receitas, Graça Moura nega: “É um instrumento de marketing, uma forma de criar buzz. Os clientes vêm para conhecer esta dinâmica dos preços e acabam por se deixar animar por este jogo da oportunidade. Até porque, garante, a receita média por pessoa do Stox Club “está dentro dos valores que o mercado pratica”.

Mas nem só desta animação da bolsa de valores das bebidas vive o bar portuense. Todo o espaço foi decorado com imagens alusivas a Nova Iorque e à queda de Wall Street, bem como dos vários filmes feitos em torno desta temática. O Stox Club “não leva ninguém a Manhattan, mas leva Nova Iorque até ao Porto e convida os clientes a brindar a isso”. São mais de 200 metros quadrados onde o jazz, funk e house se misturam ao ritmo das emoções.

E o que se segue? “Depois de consolidar o Stox Club queremos replicar este modelo de negócio noutras cidades do país ou na Europa”, diz Graça Moura.

Apesar de o projeto estar praticamente a nascer, os empresários portuenses receberam já um contacto de Marbella, em Espanha, pedindo que estudassem a possibilidade de aí instalarem um Stox Club. Algo que admite possa vir a acontecer, sempre com parceiros locais ou em regime de franchising. Mas mais para a frente.

“Para já, estamos focados em pôr o Stox Club a funcionar na sua máxima força”, diz. Até porque, para avançar para outros destinos, a casa--mãe “tem de ser um sucesso inegável”. E é preciso tempo para limar arestas. Lisboa é uma alternativa, sim, a prazo, se os parceiros ideais surgirem.

° Stox Club ° Inaugurado a 25 de maio, no Passeio dos Clérigos, no Porto ° O preço das bebidas sobe e desce em função da procura, numa lógica de Bolsa de Vvalores ° Investimento de 250 mil euros ° Ricardo Graça Moura, Tiago Pinto Leite e Ricardo Campos Costa são os investidores www.facebook.com/StoxClub/

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