Subir Lall sobre BES. "A missão não vê os balanços dos bancos"

A missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Portugal, que durante três anos esteve no terreno nos trabalhos da troika (juntamente com a Comissão e o FMI), "não tinha mandato, nem autoridade para supervisionar os bancos", disse hoje Subir Lall.
Publicado a

A resposta veio do chefe da equipa do Fundo quando questionado se não tinha informações que indiciassem alguns dos problemas graves que levaram o BES à falência menos de um ano depois.

Numa conferência da Ordem dos Economistas, em Lisboa, Lall admitiu ter sido "apanhado de surpresa" pelo colapso do BES, mas defendeu que "a nossa responsabilidade era fazer a avaliação do sector bancário numa perspetiva de risco sistémico", não de olhar para os detalhes dos balanços bancários.

"Tentamos perceber o que estava a acontecer", mas "eu não conheço todos os detalhes" até porque só subiu a chefe de missão em julho de 2013, substituindo Abebe Selassie, justificou.

Em todo o caso, o economista indiano defendeu o trabalho da instituição, insistindo na ideia: "a nossa abordagem é ver as coisas de uma perspetiva sistémica".

Garantiu ainda que "não vamos ver os balanços dos bancos, que créditos são concedidos ou não". O FMI, relembrou, faz uma análise por alto, macrofinanceira, e por isso não vê em detalhe o que está dentro dos bancos e não passa as contas a pente fino, trabalho que está reservado aos supervisores, no caso, o Banco de Portugal (que, aparentemente, também não detetava problemas de maior no BES em meados de 2013).

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt