Fernando Pessoa dizia, em modo inspirador e visionário, que “para viajar, basta existir”. Nesse tempo Pessoa mal sabia que iria estar precisamente a vaticinar o que acontece hoje, em pleno século XXI: de facto, só precisamos mesmo de existir para viajar.
A era digital permite-nos chegar a todos os destinos de sonho, escolhermos o modelo e a experiência da forma que a quisermos viver e, mais importante, já não os temos que procurar: eles encontram-nos. Mais tarde ou mais cedo, através da informação disponível, a internet “descobre-nos” e sabe perfeitamente que aquele destino nos vai querer (e nós a ele!). De facto, só temos que existir.
E foi assim que Lisboa passou “a existir” internacionalmente nos últimos dez anos, quando se deu um verdadeiro sprint na inovação da cidade, na sua oferta, na sua divulgação e na sua amplificação pelo mundo, cuja riqueza de património, mix turístico e ambiente cosmopolita são possíveis de validar à distância de um clique. Minto: clique é muito 2011. Hoje é à distância de um tap ou swipe.
Não estamos a falar só de uma Web Summit, dos novos formatos de mobilidade, do património cultural, de um crescente roteiro de arte urbana, dos mercados gastronómicos, dos espaços de cowork e espaços verdes, do fado rejuvenescido ou mesmo da segurança. Com toda a pressão que implica, a verdade é que temos vindo a “desenterrar” bairros, ruas e pessoas. Contando as suas histórias e histórias. Temos vindo a criar experiências únicas, de escolha múltipla, de nicho ou mainstream permitindo que o tráfego pedonal da cidade das setes colinas ganhe novas ramificações e artérias. A partir daqui, o word-of-mouth (ou o word-of-post) e a experiência fazem o seu papel: quem visita a cidade recomenda ou quer repetir, a imprensa internacional coloca a cidade no radar mundial e Lisboa apenas tem que existir e continuar a ser quem é.
Ora, no léxico da comunicação e marketing, estamos perante a mais bela ativação de marca de sempre, pois definimos o nosso posicionamento, traçámos um plano de comunicação e narrativa, reunimos todos stakeholders estratégicos para espalhar uma só mensagem e criámos experiências, sem nunca perder a autenticidade. Resultado? Entrámos no coração e na jornada de um consumidor: E Porquê? Porque trabalhámos a cidade com o mesmo zelo e estratégia com que se cria uma Marca.
A Superbrands é uma organização internacional independente que se dedica à identificação e promoção de Marcas de Excelência em 89 países e, pela primeira vez em Portugal, atribuímos um Prémio Especial ‘Destino Turístico de Excelência’ com o objetivo de garantir o reconhecimento à cidade portuguesa que mais se destacou em matéria de construção de marca, tendo sido Lisboa a cidade escolhida pelo Conselho das Superbrands.
Assinale-se que a magia de ser uma “supermarca” não está circunscrita a Lisboa. Na shortlist de insígnias ‘Destino Turístico de Excelência’ figuraram a nossa cidade invicta - a também reconhecida cidade do Porto -, o Algarve, uma marca histórica em matéria de incoming, destacou-se o trabalho incrível dos apaixonantes arquipélagos Açores e Madeira, bem como a nossa Nazaré que soube surfar na onda e tornar-se uma marca de referência em tempo recorde.
Acreditamos que esta jornada se vai manter e o objetivo das cidades se afirmarem como supermarcas poderá alastrar aos 18 distritos e aos dois arquipélagos que compõem Portugal, um país que é cada vez mais uma marca de excelência aos olhos internacionais.
Tal como Pessoa afirmou, temos em nós “todos os sonhos do mundo”.
Pedro Diogo Vaz é senior partner da Superbrands