O Sushi at Home nasceu em 2015, sob o signo das entregas de sushi em casa. O conceito tomou forma na mente de Martim Bruschy e do irmão Lourenço, que decidiram enveredar por um caminho pioneiro, que até então só o segmento das pizzas tinha, e que era precisamente o delivery (entregas). "Entrámos no desafio e quisemos explorar um sushi 'at home'", conta Martim ao Dinheiro Vivo.
O negócio começou com uma loja/cozinha, nas Laranjeiras, em Lisboa, e rapidamente os objetivos iniciais que os irmãos Bruschy tinham estabelecido começaram a ser ultrapassados mensalmente. "O que faturávamos nessa altura num mês é o que faturamos hoje num dia", revela Martim.
O projeto rapidamente se desenvolveu e atualmente o Sushi at Home tem já sete lojas/cozinhas. A maioria - três espaços próprios e três franchisados - localizada na capital e um novo franchisado no Porto. Até ao final deste ano pretendem abrir mais três lojas franchising. "Nos Açores já é uma certeza e estamos a ver a zona Oeste e ver se é viável fechar alguns contratos que estamos a analisar", explicou o co-fundador da marca, adiantado que espera aumentar o negócio na cidade invicta uma vez que ali "ainda há um mercado grande para explorar".
Depois do exponencial crescimento do negócio nos anos de pandemia, a marca regista agora um abrandamento. "Tivemos realmente uma quebra na venda. Está igual ao que faturámos em 2019. O que faturámos em 2020-2021 é que não tem nada a ver com o resto, mas está muito parecido com o que faturámos em 2019", revela Martim.
"É a diferença entre faturar 150 mil euros numa loja num mês e de repente sem covid estamos a faturar 100 ou 110 mil euros", lamenta, referindo ainda que a adesão às plataformas de distribuição está a ser fortemente equacionada. "Temos tido sempre os nossos canais e vivemos disso. Mas podemos entregar mais e com os nossos canais não estamos a chegar lá", reflete, explicando as entregas próprias do Sushi at Home são menos rápidas que as das plataformas mais utilizadas.
"Estamos a analisar se faz sentido aderir às plataformas porque a concorrência está lá toda e se pesquisarmos 'sushi at home' aparece um concorrente meu. Podemos estar aqui a perder mercado. Talvez ter outros conceitos dentro das plataformas, diversificar mas ainda estamos a analisar", pondera. "Se calhar é um caminho, porque voltar a ter as vendas que fizemos na covid é complicado".
A vertente sustentável é desde 2020 uma área em que Sushi at Home trabalha. "O nosso sushi era entregue em caixinhas de plástico e no final a pessoas tinha a casa cheia de plástico. A refeição acabava e era só plástico na mesa", recorda. Para terminar com todo o acumular de plástico, Martim e Lourenço mudaram para caixas de cartão. "Tirámos as garrafas de plástico das águas do nosso menu. Toda a gente vende estas garrafas de plástico para casa. Em casa as pessoas podem beber água da torneira que é ótima. Até fizemos uma parceria com a EPAL para promover a água da torneira", adianta, dizendo que até no site da marca estava um apelo aos clientes para beber água da torneira. Também nas lojas/cozinhas os materiais foram alterados e ao todo conseguiram reduzir em 90% o uso de plástico na marca.
É desta ideia de sustentabilidade que nasce o projeto de nacionalizar os fornecedores do Sushi at Home. "Pensámos que se estamos a trazer os nossos produtos da China, por exemplo, não estamos a ser sustentáveis, com a quantidade de combustível que se gasta no transporte para cá", enfatiza Martim.
Foi com a pandemia e com os confinamentos que o negócio cresceu exponencialmente. Foram dois anos em que as pessoas praticamente não podiam comer fora e por isso habituaram-se a pedir cada vez mais para casa. "Tivemos outros negócios que faliram como o restaurante de poke que fechou por causa da covid. Mas do lado do sushi, o negócio cresceu bastante. Conseguimos crescer e ainda bem", diz Martim Bruschy.
Mas os dois irmãos começaram a perceber que existiam outros negócios a ser muito afetados pela pandemia e resolveram ajudar, como podiam. "Com covid ajudámos marcas portuguesas a fazerem a sua divulgação nos nossos canais. Como sabíamos que havia muitas pessoas a sofrer com os confinamentos e a nós as vendas estavam a correr bem, decidimos também ajudar algumas marcas portuguesas através de uma rubrica que criámos no nosso Instagram", recorda.
Assim, todas as quintas-feiras existia a promoção de uma marca nacional, que também podia enviar os seus flyers, ou uma amostra, nos sacos de entrega do sushi. "Todos ficámos contentes e para além de ajudarmos ainda dávamos alguns brindes aos nossos clientes. Mas acima de tudo, ajudar foi o mais importante", frisa.
E foi também assim que nasceu o projeto, ainda não terminado, de nacionalizar os fornecedores do Sushi at Home. E começaram a criar-se parcerias com fornecedores portugueses. Para já são sete.
O fornecedor de arroz, por exemplo, é a Aparroz-Rice Crafters, de Alcácer do Sal. Aqui foi desenvolvido o arroz de sushi, que fornece as lojas do Sushi at Home. "Irmos ao Aparroz, criar com eles um produto e incentivá-los, fê-los serem pioneiros num produto em Portugal. Eles ficaram muito contentes com isso e se formos a comparar o preços que pagávamos lá fora, este acaba por ser igual ou mais barato", recorda Martim Bruschy.
Para Filipe Núncio, da Aparroz-Rice Crafters, este foi um desafio superado com muito gosto. "Houve aqui um casamento feliz entre a necessidade do Sushi at Home e a capacidade da Aparroz tem para dar resposta a estas necessidades", louva. "É olhar à nossa volta e ver que há muito potencial para que a produção nacional possa responder às necessidades dos clientes portugueses", refere, ainda.
Para além deste fornecedor, o Sushi at Home trabalha ainda com o fornecedor de molhos português, Paldin, que desenvolveu em conjunto com o Sushi At Home a receita do molho teriaki e do molho agridoce. Fornece também o molho de soja, que tinham já desenvolvido.
O atum também vem um fornecedor açoriano, a Tuna Buda, embora, refere Martim, não consiga garantir a entrega semanal deste peixe. "Trabalhamos pontualmente com eles, porque o atum é ótimo, mas o caminho que queremos seguir é que os peixes sejam da nossa costa", afirma. Os outros fornecedores portugueses são a "A Tarte", com os gelados, e a Sumol Compal e a Sagres, com os sumos e cervejas.